Rebeldes da Líbia lutam para dominar Zawiya

Forças rebeles na Líbia lutaram neste domingo para retomar o controle da cidade portuária de Zawiya, no Mediterrâneo, território que as colocaria mais perto da capital, Trípoli, e bloquearia uma das rotas das forças do ditador Muamar Kadafi até a Tunísia, segundo insurgentes. Rebeldes coordenaram ataques em diferentes frentes no país, mas a dificuldade de comunicação tornou impossível confirmar relatos de opositores fora da Líbia.

AE, Agência Estado

12 de junho de 2011 | 17h34

Os rebeldes dominaram Zawiya, 30 km a oeste de Trípoli, no início de março, mas foram expulsos em um contra-ataque do governo num importante porto de petróleo duas semanas atrás. Agora, com as forças aéreas da Otan atacando os tanques do governo, as forças de Kadafi parecem sobrecarregadas por terem de defender diversas áreas. O controle das forças oficiais também foi duramente prejudicado pela deserção de autoridades militares e do governo.

A Otan aumentou os bombardeios no centro de Trípoli e em importantes posições militares em distritos dos arredores. A Otan atacou novamente um aeroporto militar no leste de Trípoli neste domingo. O governo não anunciou mortes ou danos.

Numa surpreendente demonstração de resistência, os rebeldes se reagruparam e rearmaram rumo a Zawiya, em ofensiva que começou ontem, de acordo com um porta-voz oposicionista em Londres. Neste domingo, o rebelde "Kamal", de Zawiya, disse que 30 de seus companheiros foram mortos e 20 feridos na batalha. Por telefone, Kamal disse que os rebeldes detêm o controle do hospital central da cidade. Os distritos de Mutred e Harsha, no oeste da cidade, estão solidamente sob controle dos dissidentes. As forças de Kadafi estão no entorno da Praça dos Mártires, atirando para três direções.

Uma nova frente de ação rebelde pode ser aberta no sul da Líbia, pois os habitantes relatam um crescente sentimento de aversão a Kadafi na até então tranquila cidade de Sabha. Jovens e membros de uma grande tribo anti governo protestaram nas ruas e levantaram as armas - algumas obtidas com as forças rebeldes no norte - para aderir à luta.

Acreditava-se que o sul do país, pouco habitado, estivesse sob forte controle de Kadafi. Boa parte da população de Sabha, por exemplo, é originária do Chade, de Níger e do Sudão, levada para a Líbia por Kadafi na década de 1980. Os povos locais foram ajudados pelo governo com dinheiro e empregos, em troca de apoio ao regime. Muitos destes homens foram agora para o norte para combater as forças de Kadafi, deixando jovens nativos fortemente armados na tribo anti-Kadafi Awlad Suleiman, a maior na cidade e uma força em todo o país.

O governo vem bombardeando há dias os rebeldes na cidade de Dafniya, a oeste de Misrata. As forças de Kadafi lutam para manter a oposição presa no maior porto da cidade e impedir uma marcha até Trípoli. As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
Líbiaataquecidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.