Rebeldes da Macedônia começam a 2ª fase de entrega de armas

A Otan retomou hoje a coleta de armas dos rebeldes no momento em que o processo de paz na Macedônia entrava numa nova e potencialmente difícil fase - o cumprimento de promessas de garantir a albaneses étnicos mais direitos. Javier Solana, chefe de assuntos exteriores da União Européia, advertiu aos parlamentares macedônios para respeitarem as reformas previstas num acordo de paz assinado no mês passado."O acordo deveria ser considerado como um todo... o mais inteligente seria não fazer mudanças", afirmou Solana na capital da Macedônia, Skopje. O plano de paz é um processo em etapas, patrocinado pelo Ocidente, que prevê a entrega voluntária por parte dos rebeldes de suas armas à Otan em três fases. Por seu lado, o parlamento aprovaria uma nova legislação concedendo mais direitos à minoria albanesa étnica.A aliança já recolheu mais de um terço do arsenal que os rebeldes garantem dispor, 3.300 peças. O restante deverá ser entregue até o final do mês, em duas fases. Gritando "Somos heróis albaneses", cerca de 200 rebeldes do Exército de Libertação Nacional se concentraram hoje na vila nortista de Radusa, nas proximidades da fronteira com Kosovo, a fim de entregar suas armas."Estamos rendendo até a última bala", garantiu Mevlud Bushi, um combatente de 19 anos. Mas ele acrescentou que "se nos sentirmos em qualquer momento preocupados, vamos comprar novas armas". Um trator puxava um trailer carregado com grandes projéteis antitanque, enquanto o porta-voz da Otan major Alexander Dick dizia que a maioria das armas entregues eram fuzis automáticos. Ele não adiantou quantas armas haviam sido rendidas.Muitos eslavos macedônios, entretanto, acreditam que os rebeldes estão entregando apenas armamentos ultrapassados. Cerca de 1.000 pessoas saíram hoje às ruas de Skopje para zombar da missão da Otan. Espetando fios em imensas melancias, eles diziam que eram suas armas mais poderosas e que entregariam as frutas à aliança como um protesto simbólico contra o desarmamento.O acordo de paz deu um passo à frente na quinta-feira, quando o Parlamento, curvando-se à pressão internacional, aprovou mudanças na constituição. Mas legisladores linhas-duras querem algumas mudanças nas 36 emendas que devem ser votadas depois que for concluída a segunda fase da entrega de armas, em 13 de setembro.

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