Rebeldes da Unita apóiam negociações de paz

Representantes do alto escalão da Unita deram sinal verde nesta terça-feira para as negociações de cessar-fogo com o governo, lideradas pelo secretário-geral do grupo rebelde, Paul Lukamba Gato.Deputados da Unita no Parlamento votaram a favor das negociações, que começaram na semana passada numa cidade do leste de Angola.Representantes da Unita no exterior também emitiram uma declaração endossando as negociações, mas pediram que elas sejam transferidas para uma nova localidade onde possam ser monitoradas por observadores independentes. O apoio formal a Lukamba Gato, líder interino da Unita, tirou as dúvidas iniciais de que ele e os comandantes do alto escalão tivessem sido capturados e estivessem negociando sob pressão. As mortes do líder rebelde Jonas Savimbi e do vice-presidente do grupo, Antonio Dembo, nas últimas quatro semanas, aumentaram as esperanças de que a guerra, que já dura 20 anos, possa terminar.O Exército angolano está representado nas conversações em Luena, a cerca de 700 quilômetros a leste da capital, Luanda, pelo vice-chefe das Forças Armadas, general Geraldo Nunda. Apenas a imprensa estatal foi admitida nas conversações. Representantes da Unita fora de Angola afirmaram que as conversações deveriam ser transferidas para um local que oferecesse "mais abertura, transparência e credibilidade", de acordo com a agência de notícias nacional portuguesa, Lusa. Em declaração enviada à Lusa, os rebeldes disseram que querem observadores nacionais e internacionais para as negociações, que incluem oficiais militares do alto escalão de ambas as partes.Os inimigos estão discutindo os termos gerais de um acordo de cessar-fogo, incluindo propostas do governo sobre a desmobilização de soldados rebeldes e a entrega de armamentos, além da incorporação deles no Exército ou a volta para a vida civil.Combates esporádicos têm acontecido em áreas remotas nos últimos dias, mas há um declínio significativo nos confrontos militares desde que o Exército suspendeu as ações militares no dia 13 de março, de acordo com o governo e as agências humanitárias.O governo quer que o país volte para um acordo de paz intermediado pelas Nações Unidas, rompido em 1998 quando as duas partes retomaram a guerra.Os combates tiveram início em 1975, após a independência de Angola de Portugal. Calcula-se que pelo menos 500 mil pessoas morreram na guerra. Três acordos de paz, responsáveis por breves pausas nos combates, já fracassaram.

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