Rebeldes de Darfur rejeitam acordo na última hora

Após horas de negociações e quando tudo indicava que os impasses estavam superados, os grupos rebeldes de Darfur, no Sudão, se negaram a assinar o acordo de paz proposto pelos mediadores da União Africana (UA), entidade que reúne países do continente, com apoio dos EUA, informaram representantes das milícias.A recusa foi anunciada após longas conversas, que se estenderam pela madrugada na capital da Nigéria, Abuja. O diálogo ultrapassou o prazo fixado para um acordo, que terminou à meia-noite (20h de quinta-feira em Brasília).O documento foi rejeitado pelo Movimento Sudanês de Libertação (SLM, em inglês), maior grupo rebelde em ação no país, e pelo Movimento para a Justiça e a Igualdade (JEM). Porém, representantes do SLM ainda estão divididos.Os mediadores anunciaram que às 9h (5h de Brasília) vão retomar as negociações para tentar salvar o acordo. O chefe da equipe de negociadores do JEM, Ahmed Tugod, anunciou que seu grupo decidiu rejeitar o acordo. "Será difícil aceitarmos um documento sem mudanças fundamentais", afirmou Tugod.Abdulwaheed Al-Nour, representante do SLM, disse aos jornalistas que seu grupo não ia assinar o documento. Mas uma facção dirigida por Minni Minnawi admitiu que pode aceitar um acordo.ConflitoA guerra de Darfur começou em fevereiro de 2003, quando grupos rebeldes da região, no oeste do Sudão, pegaram em armas para protestar contra a pobreza e marginalização do território, na fronteira com o Chade.Desde então, cerca de 200 mil pessoas morreram e 2 milhões abandonaram seus lares, alojando-se em campos de refugiados no Sudão e no Chade. A ONU considera a situação o pior desastre humanitário do século.As divergências se referem ao regime de autonomia de Darfur e aos mecanismos para compartilhar o poder. Os rebeldes exigem a nomeação de um vice-presidente do Sudão representando Darfur, o que o governo nega.A proposta de acordo original apresentada pela União Africana (UA), mediadora das conversações, tem recebido modificações nos últimos dias. Entre elas, a incorporação de milhares de combatentes rebeldes de Darfur a um futuro Exército unificado.Tugod considerou "razoáveis" as propostas para unificar os Exércitos. Ele também aprovou o desmantelamento da guerrilha apoiada pelo governo de Cartum, a Janjaweed, responsável por atrocidades na região de Darfur.O subsecretário de Estado americano, Robert Zoellick, e o ministro do Reino Unido para Cooperação Internacional, Hilary Benn, ajudam nas negociações."Já está na hora de os líderes aceitarem os termos das propostas, mas isso exige uma liderança que no momento não existe", disse Zoellick aos jornalistas."As conversações ainda não terminaram", disse o chefe de Estado da República do Congo e atual presidente da União Africana, Denis Sassou-Nguesso.

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