Rebeldes detêm 43 soldados da ONU no Golan

Capacetes-azuis capturados aparentemente pela Frente Al-Nusra são das Filipinas e das Ilhas Fiji; outros 81 estariam cercados na região da Síria

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / IRBIL. IRAQUE, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2014 | 02h01

Combatentes islâmicos detiveram ontem 43 soldados da força de paz da ONU nas Colinas do Golan e cercaram outros 81. Os capacetes-azuis são das Filipinas e de Fiji. O incidente ocorreu em meio a combates entre os insurgentes e o Exército sírio, de acordo com Stephane Dujarric, porta-voz da ONU. O grupo não foi identificado, mas a principal suspeita recai sobre a Frente al-Nusra, sunita e ligada à rede Al-Qaeda.

"A ONU está fazendo todo o esforço para garantir a segurança dos integrantes da missão e restaurar total liberdade de movimento da força em toda a área de operação", disse um comunicado da ONU. O Conselho de Segurança estava reunido em Nova York para tratar da situação humanitária na Síria e acabou discutindo a questão.

A área foi ocupada por Israel em 1967. A missão monitora o cumprimento do armistício entre Israel e Síria. É a terceira vez que combatentes sírios detêm militares da ONU na área. Das outras vezes, eles foram liberados sem ferimentos.

Um vídeo divulgado ontem mostra militantes do grupo Estado Islâmico (EI) executando dezenas de soldados sírios na Província de Raqqa, no nordeste da Síria, no fim de semana. Os soldados marcham no deserto com as mãos na nuca, vestidos apenas de cuecas. Um combatente do EI grita: "Estado Islâmico" e os homens respondem: "Vai permanecer". Em seguida, os soldados aparecem deitados no chão. Uma legenda afirma que 250 foram mortos. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos confirmou a morte de 130.

O EI invadiu no domingo a base aérea de Tabqa, que fica na província, depois de dias de combates com o Exército sírio. Aparentemente, esse foi um dos mais intensos confrontos entre as forças do regime e o EI, que, antes de invadir o Iraque, costumava enfrentar mais outros grupos rebeldes do que o Exército sírio. A base era último reduto do regime na área, segundo a Reuters.

A TV estatal síria afirmou que o Exército "eliminou mais de 10 terroristas" em um ataque a uma base aérea em Deir al-Zor, no leste do país, incluindo dois líderes do EI. A operação teria destruído também 14 blindados.

O presidente Barack Obama estuda estender à Síria os bombardeios contra posições do EI, mas tem receio de que isso possa beneficiar o regime de Bashar Assad. O presidente da França, François Hollande, disse ontem que Assad "não é um aliado" na luta contra o terrorismo, apesar de o ditador sírio reivindicar esse papel para si.

No Iraque, os peshmergas, soldados curdos, continuam avançando contra o EI. Noureddin Qablan, vice-presidente do Conselho Provincial de Nínive, disse ontem ao Estado que os peshmergas retomaram duas refinarias de Zummar.

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