Rebeldes do Congo anunciam recuo para ajudar acordo

Os rebeldes do leste do Congo anunciaram na terça-feira um recuo militar para contribuir com uma iniciativa de paz da ONU, enquanto o governo demitiu o seu chefe das Forças Armadas após uma sucessão de derrotas. O Congresso Nacional para a Defesa Popular (CNDP), do líder rebelde Laurent Nkunda, disse em nota estar recuando em 40 quilômetros os seus combatentes da etnia tutsi, em duas frentes na província de Kivu do Norte, para criar zonas de separação entre a guerrilha e as tropas do governo, a serem ocupadas por forças da ONU. O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo está tentando mediar o fim de semanas de conflito, que já expulsaram cerca de 250 mil pessoas de suas casas e geraram uma crise humanitária. Comandantes do governo e do CNDP devem se encontrar na quarta-feira para discutir a criação das zonas de separação. A força de paz da ONU disse que está verificando se o recuo dos rebeldes efetivamente ocorreu. "A separação de forças seria uma boa medida", disse à Reuters o porta-voz militar Jean-Paul Dietrich. Os rebeldes anunciaram o recuo enquanto os desmoralizados soldados do governo entravam em confronto com milícias aliadas suas, que tentavam obrigar os militares a resistirem ao avanço dos guerrilheiros. Depois da humilhação sofrida pelas forças regulares na localidade de Kanyabayonga, o presidente Joseph Kabila substituiu na segunda-feira o chefe do Estado-Maior, general Dieudonne Kayembe, pelo almirante Didier Etumba, ex-chefe de inteligência militar. Na terça-feira, uma milícia leal ao governo usou metralhadoras e granadas de propulsão contra os soldados que fugiam. "Esses soldados são covardes. Eles simplesmente fogem e aí estupram e saqueiam as cidades", disse à Reuters o general Sikuli Lafontaine, líder da milícia Pareco, da etnia mai-mai. Moradores disseram ter visto corpos de soldados e milicianos. Antes do anúncio do recuo do CNDP, o governo de Kabila e a ONU disseram que Nkunda não estava respeitando um cessar-fogo que ele havia se comprometido a manter. Nkunda e seus comandantes acusaram o Exército de "provocação". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu ao Conselho de Segurança que envie reforços para as tropas de paz em Kivu do Norte, onde equipes humanitárias tentam ajudar centenas de milhares de refugiados. Diplomatas disseram na segunda-feira que o Conselho deve votar nesta semana uma resolução, redigida pela França, que envia 3.000 soldados e policiais adicionais para a força da ONU no Congo, que tem 17 mil homens e já é a maior do seu gênero no mundo na atualidade.

FINBARR O'REILLY, REUTERS

18 de novembro de 2008 | 20h52

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