Rebeldes do Congo definem condições para retirada de Goma

Os rebeldes na República Democrática do Congo disseram nesta terça-feira que iriam se retirar da cidade oriental de Goma somente se o presidente Joseph Kabila concordasse com suas demandas, o que o governo congolês foi rápido em descartar.

RICHARD LOUGH E JONNY HOGG, Reuters

27 de novembro de 2012 | 12h49

O impasse aumenta o risco de que a insurgência de oito meses de duração possa se transformar em uma guerra em uma região marcada por quase duas décadas de conflito, que matou mais de 5 milhões de pessoas, movidas pela competição por recursos minerais.

Os rebeldes do M23, que especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) acreditam serem apoiados por Ruanda e que afirmam que querem "libertar" todos do Congo, capturaram Goma na semana passada depois que soldados congoleses se retiraram e forças de paz da ONU desistiram de defender a cidade.

O exército de Uganda, que vem coordenando as negociações com o M23, disse nesta terça-feira que o líder do movimento, coronel Sultani Makenga, concordou em se retirar de Goma sem estabelecer condições.

Mas o chefe político do M23, Jean-Marie Runiga, disse a repórteres em Goma que suas forças iriam se retirar somente se Kabila mantivesse conversações nacionais, libertasse presos políticos e dissolvesse a comissão eleitoral, um órgão acusado por potências ocidentais de entregar a Kabila um segundo mandato em eleições problemáticas em 2011.

"A retirada, sim. Se Kabila concordar com as nossas exigências, então vamos sair rapidamente", disse Runiga a jornalistas em um hotel em Goma, ladeado por altos funcionários do M23 em roupas civis e rebeldes em uniformes militares.

Runiga disse que o governo de Kabila estava estragado pela corrupção, lamentou as estradas dilapidadas do país e disse que as únicas escolas e hospitais do Congo haviam sido deixadas pelos governantes coloniais belgas anteriores. Ele afirmou que qualquer negociação terá de solucionar tais questões.

"Queremos o envolvimento da oposição política, da sociedade civil e da diáspora, para que possamos resolver estas questões em conjunto, de modo que as pessoas ouçam a verdade e, de uma vez por todas, nós encontremos uma solução para os problemas que envenenaram nossa sociedade e política", declarou ele.

"Estamos lutando para encontrar soluções para os problemas do Congo. A retirada de Goma não é uma pré-condição para negociações, mas o resultado delas", disse ele.

As declarações conflitantes indicaram que uma solução para a insurgência no leste do Congo, que deslocou 140 mil civis, segundo a ONU, não estava próxima.

Lambert Mende, porta-voz do governo do Congo, rapidamente descartou as demandas do M23.

"É uma farsa, essa é a palavra. Houve um documento adotado pela região. Se a cada dia eles voltarem com novas demandas, isso se torna ridículo. Nós não estamos mais no campo da seriedade", disse Mende à Reuters de Kinshasa.

Mais tarde no dia, o chefe militar de Uganda, Aronda Nyakayirima, leu o plano de retirada aos jornalistas, mas não fez menção à aparente rejeição do M23 do plano.

Ele disse que o plano especificava que o M23 começaria sua retirada nesta terça-feira, e as tropas do governo entrariam em Goma dois dias depois, seguidas de uma visita de chefes de defesa regionais "para avaliar a situação e descobrir se todos esses prazos foram cumpridos".

Tudo o que sabemos sobre:
CONGOREBELDESRETIRADA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.