Rebeldes do Congo tomam base militar e santuário de gorilas

O parque invadido abriga 200 dos últimos 700 gorilas das montanhas que ainda existem no mundo

Associated Press,

26 de outubro de 2008 | 13h27

Rebeldes leais a um líder militar renegado tomaram uma base do Exército no leste do Congo e o quartel-general de um parque onde estão alguns dos últimos gorilas das montanhas do mundo, em combates que causaram a fuga de milhares de civis, informam fontes das Nações Unidas e das forças rebeldes.   Um número desconhecido de soldados leais ao governo, rebeldes e civis morreu nos combates na província de Kiyu do Norte, de acordo com civis que disseram que a batalha teve início por volta das 2 da madrugada, hora local.   Tropas do governo acorreram vindas da capital provincial, Goma, para lançar um contra-ataque. Um tanque tomou sobre uma coluna de civis em fuga e matou três adolescentes.   Jornalistas da Associated Press que assistiram ao sepultamento dos meninos em uma plantação de nabos ouviram as explosões do combate a cerca de 20 km da base militar de Rumangabo.   Forças de paz da ONU tentaram investigar a situação, mas foram repelidas por civis que atiravam pedras. O ressentimento da população congolesa com as tropas da ONU, vistas como incapazes de proteger os civis, vem crescendo há tempos.   O ataque desde domingo marca a segunda vez em que a base militar de Rumangabo é tomada por rebeldes desde o reinício dos combates no Congo, em 28 de agosto, quando o general sublevado Laurent Nkunda assumiu a ofensiva, acusando o governo de violar um cessar-fogo.   Os soldados de Nkunda, que alegam agir para proteger a minoria étnica tutsi na região, ocuparam parte do parque Nacional Virunga por quase um ano, mas este domingo marcou o primeiro ataque militar à sede do parque. Segundo a administração do santuário de gorilas, mais de 50 patrulheiros fugiram para a floresta.   O parque abriga 200 dos últimos 700 gorilas das montanhas que ainda existem no mundo.   Ao mesmo tempo, mais de 200 mil pessoas fugiram de suas casas nos últimos dois meses, somando-se a pelo menos 1,2 milhão de deslocados desde 2007, quando os combates tiveram início, diz a ONU. Muitos desses civis deslocados pela guerra estão desnutridos e alguns morrem de fome, informou o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas.

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