Rebeldes e governo sírio se acusam de lançar ataque químico que matou 26

Rebeldes sírios e o regime de Bashar Assad trocaram ontem acusações de ter usado armas químicas num ataque ontem em Alepo que deixou ao menos 26 mortos, um dia após os rebeldes terem declarado um governo interino em áreas da Síria sob seu controle. Os EUA, que temem pela segurança do arsenal químico sírio e tinham ameaçado intervir no país caso um ataque desses ocorresse, puseram em dúvida o uso das armas proibidas.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h08

O bombardeio ocorreu em Khan al-Assal, no subúrbio de Alepo. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade ligada aos rebeldes, 26 pessoas morreram - 16 civis e 10 militares - quando um míssil Scud caiu no vilarejo. A agência estatal de notícias Sana afirmou que o ataque deixou 31 mortos.

Um fotógrafo da agência Reuters, que fez declarações sob condição de anonimato por questões de segurança, disse ter visitado hospitais da região e ter visto pessoas internadas "com dificuldades respiratórias" em meio a um forte cheiro de cloro.

Diante da censura imposta à imprensa na maior parte do território sírio, não é possível confirmar de maneira independente se as armas químicas foram realmente utilizadas na ofensiva. Segundo a Sana, o Scud disparado pelos rebeldes continha armas químicas.

Acusações. O ministro de Informação de Assad, Omran al-Zoabi disse à TV estatal que o governo acionaria organizações de direitos humanos e países que apoiam os combatentes anti-Assad pelo suposto uso desse arsenal. "Turquia e Catar têm a responsabilidade legal, moral e política por esse ataque", disse. A chancelaria turca negou as acusações. A agência Sana publicou fotografias de supostas vítimas do ataque.

Os rebeldes negam a autoria do ataque e disseram que tropas de Assad usaram as armas químicas contra a população civil. "Ouvimos relatos no começo da manhã de um ataque em Khan al-Assal de um disparo de Scud com agentes químicos por forças do regime", disse o porta-voz do Alto Conselho Militar, Qassim Saadeddine.

Segundo ativistas ligados aos rebeldes, forças do regime tentaram atacar uma academia de polícia dominada pelos rebeldes, mas o Scud teria caído por acidente numa área controlada pelo governo.

O presidente Conselho Nacional Sírio, Mouaz al-Khatib, prometeu investigar o episódio. "Somos contra qualquer pessoa que use essas armas", disse o chefe do principal grupo político dissidente sírio. "Somos contra a morte de civis com armas químicas, mas esperem até que tenhamos informações mais precisas."

Reação. O governo americano reagiu com ceticismo às acusações do regime de Assad contra os rebeldes. "Estamos examinando com cuidado as alegações de uso de armas químicas", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "O emprego desse arsenal seria completamente inaceitável. Se o governo de Assad usou essas armas, haverá consequências e eles responderão por isso."

Ainda de acordo com o porta-voz, o governo do presidente Barack Obama é "cético" quanto ao uso dessas armas por parte dos rebeldes. "Não temos evidências que corroborem essa acusação", acrescentou.

Obama definira o uso de armas químicas no conflito sírio como a "linha vermelha" que separava os EUA de uma intervenção direta no país. Vizinho de Damasco, Israel também teme que o arsenal químico do ditador sírio caia na mãos de radicais islâmicos que compõem a heterogênea coalizão rebelde.

No final da noite de ontem, o chefe do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes dos EUA, o deputado Mike Rogers, disse em entrevista à rede de TV CNN que existe uma alta probabilidade de armas químicas terem sido usadas na Síria. / AP, NYT e REUTERS

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