Rebeldes enfrentam Exército na capital do Chade

Confrontos ocorrem no palácio do presidente Deby; embaixadas anunciam retirada de estrangeiros

BBC Brasil,

02 de fevereiro de 2008 | 18h03

Rebeldes invadiram a capital do Chade, Ndjamena, neste sábado, 2, e estão enfrentando tropas do governo próximo ao palácio presidencial, segundo testemunhas que estão na cidade. De acordo com autoridades francesas que também estão na capital, o presidente do país, Idriss Deby, está comandando a reação do governo a partir de seu palácio. Boa parte da comunicação na cidade foi cortada e há bastante confusão sobre o que está ocorrendo.  O som de metralhadoras e artilharia pesada ecoava na capital enquanto as embaixadas estrangeiras aconselhavam seus cidadãos a ficar em casa e se protegerem. Segundo relatos, a batalha acontece próximo ao palácio presidencial e ao parlamento.  Várias entidades internacionais e o governo francês - o Chade foi colônia da França até 1960 - vinham retirando seus funcionários e cidadãos do país. Com a intensificação do confronto, porém, o governo francês passou a pedir que seus cidadãos fiquem dentro de suas casas ou hotéis até que a situação se acalme.  O ministro da Defesa francês, Herve Morin, disse que a Francês mantém um papel "neutro" no conflito entre o governo de Chade e as tropas rebeldes. "Nós continuamos neutros neste combate", disse Morin à rede de televisão France 3. Morin disse também que a França disponibilizou um avião para retirar qualquer cidadão estrangeiro que desejar deixar o país - cerca de 200 pessoas já avisaram que querem sair.  Testemunhas que falaram com repórteres da BBC afirmaram ter visto tanques de guerra do governo em chamas no centro da cidade.  Sudão  O avanço das tropas rebeldes começou no início desta semana, a partir de uma região próxima à fronteira com o Sudão. A coluna de cerca de 300 veículos - a maior parte caminhonetes preparadas para combate - teria chegado à capital na manhã deste sábado.  Desde sua independência a partir da década de 60, o Chade tem enfrentado golpes e conflitos internos constantes. A atual onde de violência começou em 2005, quando o presidente Deby alterou a Constituição para permitir que ele fosse reeleito pela terceira vez.  Deby chegou ao poder em um golpe de Estado no início dos anos 90 e está no comando do Chade desde então. Ele primeiro comandou um governo de transição para democracia e venceu sua primeira eleição em 1996. Nos praticamente 17 anos que está no controle do Chade Idriss Deby já enfrentou diversas tentativas de golpes. Desta vez porém parte do grupo que agora está tentando derrubá-lo é composto por antigos aliados que mudaram de lado após as mudanças constitucionais de 2005.  Ao longo da história do país, a França, apoiando diferentes governos, e a Líbia, apoiando grupos rebeldes, tiveram um papel importante nos conflitos interno do país, que é um dos mais pobres do mundo, mas que tem uma importante reserva de petróleo.  Outro país que tem peso na política regional é o Sudão, que faz fronteira com o Chade justamente na região de Darfur, outra área extremamente instável do continente africano.  Segundo o correspondente da BBC Stephanie Hancock, partidários de Idriss Deby acusam o Sudão de estar patrocinando a atual ofensiva rebelde como uma forma de desestabilizar a região para retirar atenção de Darfur pouco antes que tropas da ONU se juntem à tropas da União Africana com o objetivo de controlar o conflito no Sudão.  (Com Reuters)

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