Rebeldes envolvidos no ataque contra Ramos Horta se entregam

Chefe militar rebelde Gastão Salsinha e doze de seus seguidores eram perseguidos desde fevereiro

Efe,

29 de abril de 2008 | 02h53

O chefe militar rebelde Gastão Salsinha e doze de seus seguidores envolvidos nos atentados contra os dois líderes políticos do Timor Leste se entregaram nesta terça-feira, 29, às autoridades, após várias semanas de negociações. Salsinha, que desde a semana passada estava sob custódia das forças de segurança em uma casa da localidade de Gleno, 75 quilômetros ao oeste de Díli, foi conduzido em um comboio de veículos da Guarda Nacional portuguesa até o Palácio de Governo, na capital timorense. Antes de se renderem, os rebeldes entregaram suas armas e munição, assinalou à cadeia australiana de rádio ABC o tenente-coronel do Exército timorense Filomeno Paixão. Os rebeldes eram perseguidos desde o dia 11 de fevereiro, quando atacaram o presidente do Timor Leste, José Ramos Horta, e armaram uma emboscada contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão. Ramos Horta, agora em Díli, onde retomou suas atividades, ficou gravemente ferido ao receber três tiros, enquanto Gusmão, que na segunda-feira passada viajou à Indonésia em visita oficial, escapou ileso do ataque. As autoridades timorenses suspeitam que Salsinha liderou a emboscada contra Gusmão, e que Alfredo Reinado, então chefe do grupo de militares rebeldes, comandou o ataque contra Ramos Horta. Reinado foi morto pelos membros das forças de segurança que protegiam a casa do presidente. Na semana passada, os corpos de segurança da Indonésia detiveram em diferentes lugares do país quatro militares timorenses que faziam parte do grupo rebelde. Os quatro suspeitos foram detidos depois que as autoridades indonésias recebessem um pedido a respeito do Governo de Díli. Salsinha, que assumiu a liderança do grupo após a morte de Reinado, fazia parte do grupo de 599 militares que o Exército expulsou em 2006 por insubordinação, ao se negarem a cessar seus protestos por melhoras trabalhistas e suas denúncias de nepotismo e corrupção no corpo. O presidente timorense, que retornou em meados de abril a seu país após dois meses na Austrália se recuperando, declarou que Salsinha tinha pedido a anistia e a reincorporação de seus homens às fileiras do Exército.

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