Rebeldes expulsam palestinos pró-Assad de campo em Damasco

Oposição síria toma bairro palestino de Yarmouk, a 3 km do centro da capital; milhares de refugiados buscam abrigo no Líbano

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h03

Rebeldes sírios conseguiram ontem tomar o campo de refugiados palestinos de Yarmouk, a cerca de três quilômetros do centro de Damasco, após dias de intensos confrontos. Atiradores palestinos leais ao ditador sírio, Bashar Assad, foram expulsos do local pelos insurgentes, segundo testemunhas, e o campo foi bombardeado pelas forças do ditador.

O avanço sobre Yarmouk soma-se a uma onda de vitórias, militares e políticas, dos rebeldes sírios nas últimas semanas. O regime Assad perdeu controle de instalações do Exército em vários pontos da Síria, enquanto potências ocidentais e países árabes anunciaram que reconheciam a Coalizão Nacional Síria - aliança que reúne vários grupos da oposição - como legítimo representante do povo sírio.

Só entre segunda-feira e ontem, mais de mil refugiados palestinos teriam cruzado a fronteira com o Líbano em razão da violência na Síria. Um palestino de Yarmouk afirmou à agência Reuters que 70% dos moradores do campo abandonaram suas casas e seguiram rumo ao Líbano.

A piora nos confrontos na capital fez a Rússia decidir ontem enviar navios de guerra para retirar parte de seus cidadãos da Síria. Juntamente com o Irã, Moscou é a principal aliada de Damasco e vem impedindo que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tome medidas contra o regime Assad.

Liberdade. Ainda ontem, Richard Engel, um dos mais conhecidos repórteres da rede americana NBC, e três integrantes de sua equipe conseguiram escapar após cinco dias sequestrados. Segundo a emissora, os captores - cuja identidade não foi revelada - eram leais a Assad.

A equipe de reportagem escapou depois que os milicianos foram surpreendidos por rebeldes em um posto de controle. Em meio ao confronto, dois dos sequestradores teriam morrido. Os quatro jornalistas escaparam ilesos. Engel afirmou que os captores queriam trocá-los por iranianos em poder de rebeldes. / NYT

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