Rebeldes ganham terreno lentamente

Cenário: Liz Sly / The Washington Post

O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2012 | 03h02

Uma força rebelde síria cada vez mais eficaz tem ganhado terreno nas últimas semanas, intensificando seus ataques contra os soldados do governo e ampliando a área sob seu controle.

O Exército Sírio Livre (ESL), organização pouco rígida, reconhece que já não respeita a trégua que faz parte do plano de paz do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. Mas os comandantes rebeldes insistem que atacam apenas para defender civis após dois massacres recentes, nos quais a maioria das 186 vítimas era composta por mulheres e crianças.

Os rebeldes dizem que estão obtendo acesso a munição e financiamento, em falta meses atrás, e tentam aprimorar sua coordenação para minar a capacidade do governo de controlar grandes partes do país. No sábado, dois bairros da cidade de Homs, no centro do país, que estavam sob controle do ESL, foram bombardeados pelas forças de governo, mostrando mais uma vez que continuam remotas as chances de se impor um cessar-fogo.

Os moradores protegeram-se nos portões enquanto a artilharia castigava a cidade, formando espessas nuvens de fumaça, de acordo com vídeos publicados na internet.

A intensificação na atividade rebelde ocorre num momento em que uma iniciativa internacional para ajudar o ESL ganha força discretamente. Por mais que os opositores insistam que ainda não recebem a ajuda de países estrangeiros, eles admitem ter acesso fácil ao dinheiro de membros da oposição síria e de organizações de fora do país, que está sendo usado na compra de suprimentos no mercado negro que renasceu na Síria.

Representantes americanos e da oposição disseram no mês passado que uma iniciativa dos países árabes do Golfo no sentido de canalizar fundos e armas para os rebeldes - cujo planejamento teve a ajuda dos EUA - tinha começado a funcionar.

O progresso dos rebeldes sírios parece indicar que a ajuda está surtindo efeito, aprofundando o conflito e aumentando a pressão sobre o governo. Em algumas partes do país, o ESL começou a pagar de US$ 50 a US$ 100 a soldados que se unam aos grupos rebeldes, que poderiam chegar a 300 no país. Um dos desafios do ESL seria organizar essas facções para atacar alvos comuns sob uma estratégia única. Os sírios ainda estão longe de atingir o patamar dos rebeldes líbios, que rapidamente conquistaram grandes partes do território na luta contra Muamar Kadafi. Segundo especialistas, dificilmente entrarão em Damasco e derrubarão Bashar Assad, mas sua pressão deverá ser decisiva para mudar o regime. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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