Rebeldes houthis bombardeiam palácio presidencial no sul do Iêmen

Após confrontos no aeroporto de Áden, no sul do país, palácio presidencial na cidade foi bombardeado; presidente foi levado para 'lugar seguro'

O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 12h10

SANAA - Aviões de combate do movimento xiita dos houthis bombardearam nesta quinta-feira, 19, o palácio presidencial da cidade de Áden, sede do líder iemenita, Abdu Rabbo Mansour Hadi. Segundo uma fonte da presidência, o complexo presidencial foi totalmente esvaziado antes dos bombardeios, e por isso não houve vítimas. O presidente foi levado "para um lugar seguro".

Foram lançados três ataques, dois deles com mísseis. Um desses ataques atingiu um edifício secundário do complexo. Testemunhas disseram à Agência EFE ter ouvido várias explosões dentro do edifício e visto colunas de fumaça saindo do local, situado na área de Maashiq, no litoral.

Outras testemunhas revelaram que os aviões também atacaram o quartel das Forças Especiais de Segurança, que hoje foi tomado pelas tropas e milícias tribais fiéis a Hadi - o local estaria sendo saqueado.

Fontes militares explicaram que três aeronaves decolaram em direção a Áden a partir de uma base aérea controlada pelos houthis em Sanaa.

Além disso, moradores de Áden disseram à EFE que ouviram os disparos da artilharia antiaérea posicionada nos arredores do palácio, onde Hadi vive desde que fugiu de Sanaa em 21 de fevereiro, depois que os houthis tomaram o poder.

Horas antes, cinco combatentes morreram em enfrentamentos entre forças partidárias e opositoras a Hadi, no aeroporto de Áden, o que provocou a suspensão dos voos. As Forças de Segurança Especiais, que apoiam o ex-presidente Ali Abdullah Saleh e são contrárias a Hadi, invadiram o aeroporto internacional de Áden e ocuparam todas suas instalações por algumas horas.

Milicianos tribais, leais a Hadi, e tropas vindas da quarta zona militar, recuperaram o controle do aeroporto após bombardear posições das forças de elite. Estas forças especiais são comandadas pelo general Abdelhafez al-Saqaf, do norte, que não aceita sua recente demissão - substituição por um oficial sulista - determinada por Hadi.

As divisões norte-sul remontam à época em que o país estava separado em dois Estados, que se unificaram em 1990, mas quatro anos depois entraram em uma guerra civil que foi vencida pelo norte.

Hadi procura reorganizar as forças do exército e da polícia no sul do Iêmen para enfrentar uma eventual tentativa dos milicianos houthis de invadir a região.

O Iêmen está imerso em um profundo conflito político, agravado desde que Hadi se retratou de sua renúncia. No mês passado, já 'exilado' em Áden, ele anunciou que continuava sendo o presidente legítimo do país, em oposição ao ordenado pelos houthis. / EFE

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