Rebeldes iraquianos tomam posições na fronteira com Síria e Jordânia

Insurgência sunita. Radicais do Estado Islâmico do Iraque e do Levante consolidam seu controle no oeste e norte do país, enquanto as forças oficiais tentam garantir a segurança de Bagdá; autoridades não admitem derrota em postos fronteiriços

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2014 | 02h04

Os insurgentes sunitas que avançam no Iraque capturaram durante o fim de semana dois importantes postos de controle na região da fronteira iraquiana com a Síria e com a Jordânia, além de quatro cidades no entorno das instalações fronteiriças.

Ontem, ao informar a perda de posições para o grupo radical Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês), as autoridades de Bagdá tentaram dar uma interpretação positiva para as derrotas, declarando que tomaram uma "decisão tática" de se retirar das localidades.

De acordo com o general Qassim Atta, o mais graduado porta-voz militar do premiê xiita, Nuri al-Maliki, na região da fronteira com a Síria, as tropas iraquianas abandonaram o posto de controle de Al-Qaim e as cidades Rawah e Ana. Segundo o militar, as forças que atuam nas localidades se agruparam para combates em outras regiões.

"Como um procedimento tático para reabrir o perímetro de segurança em Al-Jazira e Al-Badiyah, as forças de segurança em Rawah, Ana e Qaim se retiraram dessas áreas para reforçar outras tropas, em outras áreas", disse o general.

O militar não mencionou, porém, se as forças oficiais resistiram ao Isil em Rutba, na região da fronteira com a Jordânia - cujo governo é importante aliado dos EUA no Oriente Médio. Segundo testemunhas, os insurgentes chegaram à cidade em cerca de 50 picapes na noite do sábado, incendiaram a delegacia e travaram um breve combate contra policiais antes de assumir o controle.

"Eles (os insurgentes) deixaram um pequeno grupo para assegurar sua posição na cidade e depois rumaram para a fronteira", disse Ratif al-Ubaid, membro do conselho municipal de Rutba.

Na noite de ontem, havia indícios de que a polícia abandonara em Al-Waleed o último posto de controle na fronteira iraquiana com a Síria em que o Exército ainda resistia. A perda do local para o Isil não foi confirmada, mas, assustados, policiais afirmaram por telefone que se dispersaram quando os insurgentes chegaram - e os militares já tinham deixado o local.

Enquanto as forças oficiais tentam garantir a segurança de Bagdá, os militantes do Isil demonstram a intenção de consolidar seu controle nas províncias de predominância sunita do oeste do Iraque, assim como seu avanço no norte do país.

Os militantes já concentram uma força considerável na Província de Anbar. Exceto por Faluja, tomada em janeiro, em que o Isil concentrava seu poder principalmente em remotos vilarejos e cidades.

Agora, com a conquista de Al-Qaim e as cidades de seu entorno, depois de três dias de combates, os rebeldes terão condições de iniciar uma ofensiva contra Haditha, onde fica uma importante represa. Ontem, as autoridades iraquianas reforçaram a presença militar nas proximidades da represa de Haditha.

Durante a batalha de Al-Qaim, 70 voluntários que atenderam ao chamado do aiatolá Ali al-Sistani - o mais graduado clérigo xiita no Iraque - para lutar ao lado do Exército iraquiano morreram em uma emboscada, afirmou um policial não identificado. / NYT e AP

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