Rebeldes líbios avançam em duas frentes e se aproximam de Trípoli

Armadas pela França, forças opositoras tomam vilarejo ao sul da capital e conquistam terreno no oeste da Líbia

, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2011 | 00h00

TRÍPOLI

Combatentes rebeldes tomaram ontem o vilarejo de Gualish, 50 quilômetros ao sul de Trípoli, enquanto outro grupo dissidente avançou em uma segunda frente, a oeste da capital. O progresso no campo de batalha é o mais significativo registrado até agora pelos opositores, que lutam contra as forças do ditador Muamar Kadafi.

Porta-vozes da insurgência disseram que suas forças se posicionaram 20 quilômetros a oeste de Misrata, a terceira cidade do país, situada a leste de Trípoli - reduto das forças de Kadafi. Segundo os rebeldes, o avanço ocorreu durante a madrugada em Dafniya e colocou os dissidentes a 13 quilômetros da cidade de Zlitan, onde estão várias unidades de Kadafi.

No sul, armados pelos franceses e com o caminho aberto pelos últimos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os rebeldes precisaram de seis horas de combate para conquistar Gualish. Eles fizeram as tropas de Kadafi recuarem e capturaram vários mercenários que formavam parte das forças leais ao ditador. Vários soldados dizem que vieram de Gana e Mali.

Mas analistas afirmaram que o avanço rebelde, que seria o mais significativo nas últimas semanas de impasse militar na Líbia, poderia deixar os insurgentes desprotegidos, já que suas tropas não têm capacidade para construir posições defensivas.

Boatos. A nova ofensiva ocorre no momento em que surgem rumores sobre uma negociação entre governo e rebeldes que envolveria a renúncia de Kadafi. O porta-voz do ditador, Moussa Ibrahim, desmentiu ontem os boatos, que aumentaram em razão da falta de dinheiro, de combustível e da intensificação das operações armadas da Otan e dos rebeldes.

A informação tinha sido publicada na terça-feira por um jornal russo, que citou fontes de alto escalão do Kremlin. Ibrahim, contudo, disse que a posição de "Kadafi não é negociável".

"Essa é nossa posição de princípios e o futuro da Líbia será decidido pelos líbios", afirmou. "O líder do país é um símbolo histórico e os líbios morrerão para defendê-lo."

Mas no campo diplomático Trípoli sofreu um novo golpe ontem. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, confirmou que representantes dos rebeldes serão recebidos no dia 13 pelos países da aliança. Será o primeiro encontro do tipo. / REUTERS

 

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