Rebeldes líbios avançam no oeste do país

Forças de Kadafi e rebeldes se preparam para dar contniidade à luta durante o Ramadã

Reuters

28 de julho de 2011 | 10h51

NALUT - Os rebeldes nas Montanhas Ocidentais da Líbia iniciaram nesta quinta-feira, 28, uma ofensiva contra as tropas de Muamar Kadafi, um dia depois de a Grã-Bretanha conceder reconhecimento diplomático à oposição líbia.

 

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Após cinco meses de guerra civil, a perspectiva de uma solução negociada parece cada vez mais distante, e ambos os lados se preparam para a continuidade do conflito durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, em agosto.

 

"Começamos a atacar Ghezaia com foguetes e tanques", disse o porta-voz rebelde Mohammed Maylud. Ghezaia é uma cidade perto da fronteira com a Tunísia, dominada pelas forças do governo desde o início do conflito.

 

Num posto de controle no acesso à vizinha localidade de Nalut, o clima era de otimismo. "Estamos confiantes de que podemos derrotar Kadafi agora, já capturamos mais armas do Exército líbio, principalmente AK-47s", disse o combatente Mohammed Ahmed, 20.

 

Controle

 

Basim Ahmed, que voltava da frente de combate, disse que os rebeldes assumiram o controle de três aldeias, e que muitos soldados do governo fugiram. Não foi possível verificar isso.

 

O hospital local tem oito combatentes feridos -- quatro rebeldes e quatro soldados do governo. Outros seis soldados de Kadafi foram capturados como prisioneiros, segundo testemunhas.

 

Os rebeldes agora controlam grande parte das Montanhas Ocidentais, e também todo o nordeste da Líbia e a cidade de Misrata (oeste). Mas eles continuam mal armados e desorganizados e, apesar do apoio militar da Otan, parece improvável que consigam chegar tão cedo a Trípoli, a capital.

 

Ghezaia é uma localidade estratégica, pois dali as tropas do governo atacam os rebeldes nas montanhas, mas sua captura não deixaria os insurgentes mais perto da capital.

 

Diplomacia

 

Também na frente diplomática a situação é de impasse, pois os rebeldes insistem que a renúncia de Kadafi é uma pré-condição para o diálogo, enquanto o governo afirma que a permanência dele não é negociável.

 

O enviado especial da ONU para a Líbia, Abdel Elah al Khatib, apresentou nesta semana a ambas as partes um plano que prevê um cessar-fogo e uma partilha de poderes que exclui Kadafi. Ele não conseguiu nenhum resultado visível.

 

O dirigente rebelde Mustafa Abdel Jalil disse que a proposta representa "dez passos atrás". "Ele diz para partilharmos o poder com o regime de Muamar Kadafi. Isso é risível."

 

Kadafi também pareceu desafiador na quarta-feira, conclamando os rebeldes a deporem suas armas e evitarem uma morte horrenda. "Todos nós lideramos esta batalha, até a vitória, até o martírio", disse ele em mensagem transmitida num comício de simpatizantes do governo em Zaltan, 140 quilômetros a oeste de Trípoli.

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