Rebeldes líbios se queixam de pouco apoio do Ocidente

Ahmed Bijou aponta para os buracos feitos por fragmentos de foguetes Grad em sua caminhonete, que traz na carroceria uma bateria de 12 foguetes de 107 milímetros. "Não vi ataques aéreos", reclama Bijou, de 32 anos, funcionário da companhia de água de Benghazi tornado combatente. Ele lutava entre os vilarejos de Bsheir e Al-Gayla, quando teve de recuar, diante dos foguetes das forças leais aos ditador líbio, Muamar Kadafi.

AE, Agência Estado

31 Março 2011 | 08h37

"Acho que os franceses estão jogando conosco, como se fôssemos brinquedos deles", exasperou-se Bijou, referindo-se aos participantes da coalizão mais famosos, por terem lançado o bombardeio que salvou Benghazi, no dia 19. "Talvez eles não tenham atacado porque os revolucionários estavam perto demais (das forças de Kadafi)", ameniza Marai Lawil, de 34 anos, funcionário da refinaria de Brega, que acompanha Bijou na caminhonete.

A bateria - nesse momento já esvaziada - de foguetes de Bijou e Lawil era o armamento mais pesado que os rebeldes utilizavam ontem. Mais comuns eram as peças de artilharia antitanque de 14,5 milímetros. "Precisamos de armas pesadas", reclamaram os soldados, de um quartel em Benghazi. À pergunta sobre que armas queriam, responderam: "As mesmas que as kataeb (forças de elite de Kadafi) têm - foguetes Grad."

Desde o início da guerra civil, há 40 dias, as lideranças civis e militares dos "revolucionários" têm feito dois pedidos à comunidade internacional: uma zona de exclusão aérea, criada a partir do dia 19, e armamentos. Visivelmente, os bombardeios da coalizão não são suficientes para os rebeldes manterem os territórios que ocupam - e muito menos para avançar em direção a Trípoli. Há informações de que as primeiras armas estão chegando, via Egito. Mas tudo indica que é apenas o início de uma longa guerra civil, a menos que algo aconteça a Kadafi. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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