Rebeldes líbios tomam Zawiya e isolam Kadafi

Refinaria de petróleo na cidade e Sabratha estão sob controle de combatentes; governo de ditador nega avanço

, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

ZAWIYA, LÍBIA

Rebeldes líbios aumentaram ontem a pressão sobre o regime de Muamar Kadafi ao multiplicar suas tropas para controlar diversas estradas de acesso a Trípoli, isolando ainda mais o ditador em seu reduto político na capital. A refinaria de petróleo de Zawiya e a cidade de Sabratha estão agora sob comando rebelde.

De acordo com fontes locais, a tomada de Sabratha - localizada 80 quilômetros a oeste de Trípoli - ocorreu logo após forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) bombardearem um complexo de treinamento militar no centro da cidade. Depois do ataque, os rebeldes assumiram o controle do complexo e apoderaram-se das armas que estavam no local.

A tomada de Zawiya, 50 quilômetros a oeste de Trípoli, levou dois dias. Segundo um rebelde, cerca de 150 combatentes leais a Muamar Kadafi fugiram pelo mar em barcos infláveis. O governo líbio, porém, negou que a refinaria da cidade esteja nas mãos dos rebeldes.

"O cerco está se fechando em torno de Trípoli, das montanhas a oeste a Sorman, Zawiya e no lado leste da capital", afirmou Mustafah Abdelkhalil, líder da rebelião que diz esperar festejar em Trípoli a vitória junto com o fim do Ramadã, no final do mês.

O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político da rebelião com sede em Benghazi, acredita que a batalha para conquistar Trípoli será "um massacre". "Kadafi não deixará facilmente o poder, só o fará em meio a um desastre."

A luta no leste, no entanto, complicou-se para os rebeldes. Apesar de terem aumentado o controle ao redor da cidade de Brega, os combatentes rebeldes afirmam que foi registrado um número alto de mortes nos últimos dias.

Dados obtidos em hospitais indicam que cerca de 40 rebeldes morreram em outros 100 ficaram feridos nos últimos dez dias na região.

Acusações. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmou que instalações médicas na Líbia estão sendo atacadas e utilizadas para propósitos militares pelos dois lados do conflito. O CICV ainda expressou preocupação pela rápida deterioração da situação humanitária em Brega, Zawiya, Garyan, Sabratha e Misrata. "Em Brega, nossos delegados viram ambulâncias com furos de bala", disse Georges Comninos, chefe da delegação do CICV em Trípoli. "Isso está comprometendo o fornecimento de cuidados médicos para os feridos." / AFP e REUTERS

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