Rebeldes líbios treinam e se preparam para enfrentar Kadafi em Trípoli

Militares desertores reúnem jovens e tentam formar milícia para lutar contra tropas do ditador na capital

Reuters

28 de fevereiro de 2011 | 18h54

Jovens organizam munição adquirida dos quartéis do Exército.

 

BENGHAZI - Os rebeldes do leste da Líbia se organizam para reforçar as tropas de opositores que planejam ir a Trípoli e derrubar o ditador Muamar Kadafi. A pedido das lideranças militares dissidentes, muitos jovens permanecem longe da capital para receber treinamento para lutar contra o coronel.

 

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"Podemos dar a eles o que precisam para a luta - como atacar algum local ou como se defender. Eles devem saber que estamos aqui para proteger a revolução dos jovens", disse Marai Lojeli, um coronel de cerca de 50 anos. Em Benghazi, por exemplo, eles aprendem como manejar um canhão antiaéreo para repelir os ataques das forças armadas de Kadafi.

 

"Todos nós queremos ir para Trípoli", disse Ashraf Ali Jaffar, um major de 41 anos. "Mas esses jovens devem ser listados e treinados para defender Benghazi. Assim que estiverem prontos, poderemos ir para Trípoli". Vários dos militares envolvidos no treinamento dos jovens e na defesa de cidades tomadas pelos rebeldes deixaram suas funções no Exército controlado por Kadafi.

 

Há militares que dizem que Kadafi perdeu o apoio de 98% do Exército. O coronel tem repelido as manifestações em favor do fim do seu regime usando ataques aéreos e contratando mercenários que atiram indiscriminadamente contra a população. Apesar disso, várias cidades, principalmente no leste do país, já estão sob controle dos rebeldes.

 

Existe, porém, uma preocupação com as armas do Exército. Alguns edifícios dos militares ficaram sem guarda com a deserção de soldados, e houve relatos de arsenais sendo saqueados. Os mercenários podem ter ficado com parte dos armamentos, enquanto sabe-se armas leves foram distribuídas em algumas cidades para que os cidadãos se defendam.

 

O treinamento dos jovens rebeldes, argumentam os militares, serve justamente para garantir à população que este arsenal não caiam em mãos erradas e para evitar ondas de indisciplina por parte daqueles em posse de pistolas e outras armas leves. Os opositores, porém, não se ativeram somente a esse tipo de armamento - foguetes, morteiros e balas de alto calibre também estão sob seu poder.

 

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