Rebeldes matam 17 no 1º dia de eleições na Índia

Maoistas atacam centros de votação no leste do país

NYT e LAT, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

O primeiro dia de eleições na Índia foi marcado pela violência. Militantes atacaram centros de votação em quatro Estados, matando pelo menos 17 pessoas.Os ataques ocorreram no leste da Índia, numa região conhecida como "cinturão vermelho", reduto dos grupos maoístas que há décadas vêm tentando depor o governo e estabelecer um Estado comunista.Mais de 140 milhões de eleitores foram convocados para participar das eleições de ontem, que ocorreram em 15 Estados e 2 territórios. A votação foi a primeira de um processo de cinco etapas, nas quais 714 milhões de eleitores escolherão os representantes para as 543 cadeiras da Assembleia.São poucos os que ousam prever que coalizão substituirá a que governa a Índia desde 2004. Mas uma coisa é certa, o próximo governo terá pela frente escolhas difíceis, se quiser equilibrar a necessidade de estimular o crescimento econômico, que desacelerou pela primeira vez em dez anos, com a de responder às inquietações da população pobre do país. Três pacotes de estímulo econômico elevaram o déficit fiscal da Índia, que atingiu seu patamar mais alto desde a abertura da sua economia socialista, no início da década de 90. Além disso, novos gastos previstos pelo governista Partido do Congresso e outros partidos ameaçam a já baixa classificação do país.O premiê Manmohan Singh defende o plano de tomada de empréstimos de seu governo, dizendo ser necessário para estimular a economia e "amenizar os rigores da extrema pobreza". Mais de 40% da população vive abaixo da linha de pobreza, de US$ 1,25 ao dia, segundo o Banco Mundial. O governo de Singh, como se reconheceu, foi lento nas reformas estruturais, mesmo quando o país registrava um crescimento de 9%. Alguns economistas temem que uma coalizão frágil possa se ver pressionada a liberalizar ainda mais a economia, especialmente para expandir o investimento externo na área de seguros e bancária. Outros advertem que o novo governo precisará ter cuidado, ao ter de optar entre medidas de caráter populista e aquelas que vão, de fato, reanimar a economia.

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