Rebeldes planejam era pós-Kadafi e prometem democracia

Com o cerco a Trípoli, os insurgentes líbios juram evitar que o país vire um ''novo Iraque'' após a queda

Thomas Erdbrink, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

Durante meses, os rebeldes que lutam para depor Muamar Kadafi vêm prevendo a queda de Trípoli. Agora, após semanas de avanços e com a capital sitiada, eles começam a falar abertamente sobre planos para manter a segurança após a deposição do ditador.

Os rebeldes dizem que estão determinados a evitar os tipos de saques e matanças que ocorreram em Bagdá após a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003.

Divisões internas e o recente assassinato por rivais do chefe militar dos rebeldes suscitaram dúvidas sobre a capacidade das forças de oposição de manter uma frente unida se o país rico em petróleo cair em seu controle.

Os líderes rebeldes insistem em que sua tomada do poder conduziria a comemorações de massa nas ruas anunciando a democracia - e não o começo de uma guerra civil.

Em preparação para isso, uma força rebelde formada em grande parte por combatentes da capital treinou durante meses com forças especiais do emirado do Catar.

O plano é que ela proteja locais estratégicos, infraestrutura e sítios históricos antigos em Trípoli e nas áreas próximas.

Outro plano do governo rebelde visa a garantir a supervisão de eleições pela ONU em um prazo de oito meses.

"Precisamos ser realistas e esperar alguns dias de caos na capital", disse Abbas Milad, um comandante. O ex-oficial da Força Aérea previu um ano de instabilidade.

Mas Trípoli não se tornaria uma segunda Bagdá, diz Milad. "Não somos estrangeiros entrando em terra estrangeira", disse. "Somos líbios libertando nosso país. Isso faz uma enorme diferença." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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