Rebeldes preparam grande ofensiva contra o 'enfraquecido Kadafi'

Força militar do ditador está enfraquecida com deserções, diz chanceler dos insurgentes

Associated Press e BBC

30 de maio de 2011 | 19h05

BENGHAZI - O ministro de Exteriores dos rebeldes líbios, Fathi Baja, disse nesta segunda-feira, 30, que os insurgentes preparam um forte ataque contra as forças enfraquecidas do coronel Muamar Kadafi em breve, no mesmo momento em que o ditador sofre com deserções entre seus comandados.

 

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Baja disse acreditar que "Kadafi está com problemas". "O equilíbrio do poder militar mudou completamente, o seu círculo próximo está desertando. Até a Rússia está pedindo que ele deixe o poder", disse o chanceler insurgente. "Kadafi é um covarde, não vai lutar até a morte e, agora, está procurando como fugir", completou.

 

  

O chanceler ainda afirmou que o presidente sul-africano, Jacob Zuma, visitou o líder líbio para acertar uma saída estratégica. A declaração, porém, foi negada elo próprio Zuma, que levou uma proposta de cessar-fogo aceita por Kadafi, mas prontamente rejeitada pelos rebeldes por não incluir a saída do ditador.

 

 

De acordo com Baja, a próxima ofensiva rebelde trará resultados devido ao enfraquecimento da máquina militar de Kadafi, que enfrenta deserções e ataques aéreos ostensivos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Oito militares de alta patente desertaram do Exército líbio nesta segunda e fizeram um apelo a outros membros das forças de segurança para que também se unam aos rebeldes, que dominam parte do leste do país.

 

Um dos oito desertores acusou as tropas de Kadafi de serem "genocidas" e de praticar atos de violência contra mulheres "em diversas cidades" do país. Em uma coletiva em Roma, na Itália, o general Oun Ali Oun leu um comunicado pedindo a soldados e policiais líbios que abandonem o regime "em nome dos mártires que morreram em defesa da liberdade".

 

Diversos militares, diplomatas e ao menos três ministros abandonaram o governo líbio desde o início da onda de protestos contra o governo no país, em fevereiro, quando começou a guerra civil entre os insurgentes e as tropas do ditador, que está há 41 anos no poder e se recusa a negociar, apesar da pressão internacional.

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