AFP PHOTO / GIANLUIGI GUERCIA
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Rebeldes queimam ‘bruxas’ para impor controle na República Centro-Africana

País entrou em violência sectária quando rebeldes muçulmanos tomaram o controle do país, de maioria cristã, em 2013

O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 19h34

BANGUI - Rebeldes da República Centro-Africana (RCA) sequestraram, queimaram e enterraram vivas “bruxas” em cerimônias públicas, explorando superstições amplamente disseminadas para conseguir impor seu controle em áreas desse país devastado pela guerra, segundo um relatório divulgado ontem pela ONU.

O relatório elaborado por funcionários da ONU ligados aos direitos humanos, visto exclusivamente pela Thomson Reuters Foundation, contém fotografias chocantes de vítimas amarradas em estacas de madeira sendo conduzidas ao fogo, bem como torsos carbonizados de pessoas que foram submetidas ao ritual.

Segundo o relatório, a tortura ocorreu entre dezembro de 2014 e início de 2015 sob a instrução de líderes da milícia “anti-Balaka”, de maioria cristã, que combate rebeldes Seleka em todo o país há mais de dois anos.

A República Centro-Africana mergulhou na violência sectária quando rebeldes muçulmanos tomaram momentaneamente o controle do país, de maioria cristã, em março de 2013. A escalada da violência, por ambos os lados, semeou o descontrole em todo o interior.

Eleições presidenciais e parlamentares que substituirão um governo de transição e contam com apoio internacional estão previstas para 27 de dezembro, após repetidos atrasos, mas há preocupações generalizadas de mais derramamento de sangue durante a campanha.

Embora a crença em feitiçaria seja comum em toda a África, os investigadores da ONU disseram que aparentemente os rebeldes cristãos recorreram a essas superstições para intimidar, extorquir dinheiro e exercer autoridade sobre áreas sem lei.

“A feitiçaria está firmemente entrincheirada (na República Centro-Africana) e a ausência de autoridade estatal cria um terreno fértil para uma espécie de justiça popular distorcida pela milícia anti-Balaka para seu benefício”, disseram os investigadores.

O relatório, produzido por uma equipe de trabalho para a missão de estabilização da ONU, conhecida como Minusca, reforça que há informações de que 13 ataques contra vítimas com idades entre 45 e 70 anos ocorreram perto de Baoro, em Nana-Mambere, uma das 14 subdivisões do país.

Ainda ontem, a organização de proteção dos direitos humanos Human Right Watch (HRW) afirmou que a histórica visita do papa Francisco pode ser “chave” para acabar com a violência no país. 

A HRW estima que desde o dia 25 de setembro, 100 pessoas morreram em combates entre cristãos e muçulmanos. A organização pediu que o pontífice contribua para “acabar com a impunidade” daqueles que cometem atrocidades no país. / REUTERS e EFE

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