Khaled Elfiqi/Efe
Khaled Elfiqi/Efe

Rebeldes recuperam zona petrolífera e marcham para cidade natal de Kadafi

Rebeldes retomaram ontem os complexos petrolíferos de Brega e Ras Lanuf e retornaram ao ponto mais a oeste de território contínuo ocupado pelos insurgentes desde o início da guerra civil: a cidade de Bin Jawad, 430 km a oeste de Benghazi. Em 24 horas, eles avançaram 270 km, de Ajdabiya a Bin Jawad. Os rebeldes agora controlam os cinco maiores complexos de petróleo do país, que incluem Sidra, Zueitina e Tobruk.

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2011 | 00h00

O recuo das forças leais ao ditador Muamar Kadafi mostra sua vulnerabilidade diante dos bombardeios da coalizão, que cortam suas linhas de suprimentos e as isolam num terreno desértico, caracterizado pelas grandes distâncias entre uma área povoada e a outra. Bin Jawad foi onde as forças de Kadafi se reagruparam no dia 6 e contiveram o avanço dos combatentes.

Um repórter da agência Reuters encontrou os rebeldes estacionados ontem 4 km a oeste de Bin Jawad, com 3 caminhões transportando baterias de foguetes Grad, 6 peças de artilharia antiaérea e 12 metralhadoras artilhadas montadas sobre a carroceria de caminhonetes. O combatente civil Youssef Ahmed, de 22 anos, disse que as tropas leais ao regime abandonaram na noite de sábado Bin Jawad, onde tinham se reagrupado depois de deixar Ajdabiya.

Ahmed acrescentou que entre 20 e 30 soldados foram capturados, alguns deles mercenários do Níger e do Mali. "Nós controlamos a cidade. Agora vamos para o oeste. Vamos lutar por Sirt." Situado 170 km a oeste de Bin Jawad, o porto de Sirt é um obstáculo potencialmente difícil: terra natal de Kadafi, reduto de sua tribo. Na madrugada de hoje, os caças da coalizão faziam, além dos ataques usuais a Trípoli, bombardeios sobre Sirt. Preparavam o terreno para o avanço terrestre dos insurgentes.

Distante 438 km a leste de Trípoli, Sirt tem enorme peso simbólico e também estratégico. Sua eventual queda nas mãos dos rebeldes é considerada por eles a senha para que as tribos que ainda apoiam Kadafi ou que se mantêm neutras nas regiões oeste e sul do país se insurjam contra o ditador.

Os 70 km de estrada que ligam Ajdabiya a Brega exibem a devastação causada pelos bombardeios da coalizão sobre as forças de Kadafi. Na saída oeste de Ajdabiya (160 km a leste de Benghazi, principal reduto rebelde), o Estado contou 17 tanques, 2 veículos blindados, 14 caminhões e 19 caminhonetes destruídos. Eles se somam aos 13 tanques e 1 veículo blindado destruídos, 10 tanques e 2 caminhões com baterias de foguetes Grad abandonados na entrada leste de Ajdabiya.

Moradores começavam a voltar ontem para Ajdabiya, cidade de 150 mil habitantes duramente castigada pelo cerco e pelos bombardeios das forças de Kadafi. O policial Idriss Zeitouni, de 29 anos, estima que 150 pessoas, a maioria civis, tenham sido mortas na cidade durante o ataque e ocupação pelas forças de Kadafi, na última semana. Segundo Zeitouni, os 4 mil policiais de Ajdabiya aderiram ao levante armado.

"Quando ouvimos falar da revolução, dissemos: "Kadafi, não te conhecemos"", contou o policial, percorrendo a cidade de carro com o repórter do Estado, com um fuzil e uma granada caseira na mão. Feitas com dinamite usada pelos pescadores de Benghazi, acondicionada em garrafas, essas granadas foram amplamente empregadas pelos rebeldes na tomada do quartel da brigada do governo, na cidade, no início do levante. "Quando Kadafi pediu apoio da polícia, respondemos: "Vamos aí te pegar"."

Zeitouni confirmou a captura em Ajdabiya do general Bilqasim al-Ganga, um dos principais comandantes das Forças Armadas de Kadafi. "Ele foi cercado na entrada leste da cidade por combatentes vindos de Benghazi, a oeste, e de Ajdabiya, a leste."

Depois de Sirt, a próxima cidade importante sob disputa é Misrata, 235 km mais a oeste. Forças leais a Kadafi e combatentes rebeldes se enfrentavam ontem no centro da cidade, segundo moradores. Misrata, que fica 203 km a leste da capital, Trípoli, tem sido castigada por disparos de tanques e foguetes das brigadas do regime, que também usam franco-atiradores no telhado de edifícios da cidade.

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