Rebeldes resistem a ataques e avançam para leste do Congo

Apesar da ofensiva da ONU, exército rebelde segue para capital provincial; 30 mil civis já fugiram do conflito

Agências internacionais,

28 de outubro de 2008 | 13h17

Os rebeldes do Congo se aproximavam nesta terça-feira, 28, da capital provincial Goma, no leste do país. O avanço ocorre apesar de eles terem sido atacados por mantenedores de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em helicópteros. Dezenas de milhares de civis, inclusive crianças e bebês de colo, tomaram as rodovias, temendo o exército rebelde com reputação de brutalidade. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 30 mil congoleses já fugiram dos confrontos e estão em um campo de refugiados de Kibati, 10 quilômetros ao norte de Goma.   Veja também:   Tropas do exército e da ONU fogem de rebeldes no Congo Comandante das forças de paz da ONU no Congo renunciaOs ataques dos mantenedores de paz ocorreram na terça, com a intenção de que os rebeldes não tomassem Kibumba, uma vila 48 quilômetros ao norte de Goma. Porém civis em fuga disseram que a tomada ocorreu da mesma forma. Um porta-voz dos rebeldes, Bertrand Bisimwa, disse que eles estão agora a 20 quilômetros de Goma.Também na segunda, mantenedores de paz atiraram para o alto enquanto um escritório da ONU era atacado com pedras. Milhares de pessoas protestavam contra a ONU, por não conseguir proteger a população do rebeldes, apesar de uma missão de 17 mil capacetes azuis no país. Líderes locais disseram que três pessoas foram mortas no incidente.O general desertor Laurent Nkunda planeja tomar Goma, cidade de 600 mil habitantes na fronteira com Ruanda. Nkunda chegou a assinar um cessar-fogo com o governo em janeiro, porém depois voltou atrás, argumentando que não há interesse das autoridade em proteger os tutsis. Milicianos hutus que fugiram de Ruanda para o Congo após perpetrarem o massacre de Ruanda, em 1994, estariam ainda perseguindo a outra etnia.Mais de 200 mil pessoas tiveram que deixar suas casas nos últimos dois meses no Congo, segundo a ONU. A cólera e a diarréia mataram dezenas de pessoas, e as que sobrevivem em geral vivem na miséria nessa área.   Histórico   A ofensiva rebelde é indício do sentimento contrário aos tutsis despertado pelo sucesso dos rebeldes ligados a Nkunda. Eles afirmam lutar para proteger a minoria tutsi de uma milícia ruandesa hutu que escapou para o Congo após ajudar a perpetrar o genocídio de Ruanda, em 1994. Meio milhão de tutsis foram assassinados nessa investida. Em janeiro deste ano, governo e rebeldes assinaram um tratado de paz, mas os guerrilheiros se rearmaram e retomaram os combates no meio deste ano.   Desde então, o presidente Joseph Kabila se recusa a manter novas conversações com Nkunda, por considerá-lo um "terrorista."   Nkunda, por sua vez, recusa-se a desarmar suas tropas por afirmar que rebeldes hutus, de Ruanda, operam na região e ameaçam a comunidade tutsi. Acredita-se que Nkunda possui 5.500 homens sob o seu comando.  

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