Rebeldes saqueiam QG de Khadafi em Trípoli

Paradeiro do líder líbio ainda é desconhecido; integrantes da oposição já preparam transferência para a capital da Líbia.

BBC Brasil, BBC

23 de agosto de 2011 | 17h57

Após romper o cerco contra o quartel-general do líder líbio, Muamar Khadafi, os rebeldes estão saqueando o complexo governamental e residencial na capital, Trípoli, segundo o chefe do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar.

Danahar diz ter visto rebeldes carregando pinturas, objetos ornamentais, uma geladeira e até taças de cristal do complexo de Khadafi.

A residência de Khadafi também está sob poder dos rebeldes. Ao entrar no complexo, eles atacaram uma escultura dourada em formato de uma mão, um dos símbolos do regime.

Um busto de Khadafi também foi arrancado de sua base e a cabeça da estátua foi chutada. Cartazes com imagens do líder líbio foram destruídos pelos rebeldes, que continuavam a atirar para o alto, celebrando a tomada do complexo, uma das poucas áreas de Trípoli que aparentemente ainda estavam sob o controle do governo.

Segundo uma rádio ligada aos oposicionistas, a bandeira tricolor utilizada pelos rebeldes foi hasteada no complexo governamental, no lugar da bandeira verde utilizado pelo regime por 40 anos. A informação, no entanto, não tem a verificação de fontes independentes.

A operação começou cedo, quando os rebeldes reuniram centenas de voluntários, que marcharam para o centro de Trípoli a bordo de caminhonetes, com o intuito de quebrar o cerco ao complexo de Khadafi.

Imagens da TV mostram focos de fumaça no complexo e rebeldes, sem vestimenta militar, segurando rifles e dando tiros para cima, já celebrando o fim do regime.

Paradeiro desconhecido

O paradeiro de Khadafi ainda é desconhecido. Segundo a agência de notícias russa Interfax, Khadafi conversou nesta terça-feira por telefone com um integrante do governo russo, afirmando que está bem, em Trípoli, e que não pretende deixar a Líbia.

As informações vindas da capital líbia, no entanto, são desencontradas. Nessa segunda-feira, as forças rebeldes anunciaram a prisão de três filhos de Khadafi.

Mais tarde, Saif-al-Islam, filho de Khadafi e considerado o número dois do regime, reapareceu e falou com jornalistas estrangeiros. Ele disse que as forças leais a seu pai ainda estavam no controle de Trípoli.

Líderes rebeldes e o porta-voz da Otan, que tem participado da ofensiva por meio de bombardeios autorizados pela ONU, desmentiram a versão do regime.

Além de Trípoli, a cidade portuária de Las Ranuf foi palco de enfrentamentos nesta terça-feira.

Próximos passos

Enquanto Trípoli parece ser inteiramente tomada pelos opositores, membros do Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado em Benghazi, já se preparam para viajar à capital líbia.

O Conselho já é reconhecido como governo interino pelos Estados Unidos e por vários países da Europa e do mundo árabe.

Nesta terça-feira, Nigéria, Marrocos, Iraque, Grécia, Egito e Bahrein reconheceram o CNT como governo interino. O Brasil ainda não tomou uma posição a respeito.

Fontes da Casa Branca e do governo suíço, citados pela agência Reuters, disseram que os dois países devem liberar ativos da Líbia congelados em contas bancárias no exterior para o Conselho.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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