Rebeldes se dividem sobre ajuda externa

Mesmo quando começavam a cair os primeiros morteiros sobre o bairro de Salahedine, em Alepo, na Síria, o chefe do Conselho Militar rebelde da província, Abdeljabar al-Ocaidi, advertiu com ar orgulhoso: "Não precisamos da ajuda da Otan nem dos do Ocidente. Essa vitória será só nossa". Ele tem certeza de que pode derrotar a fileira de cerca de 80 tanques, os helicópteros e caças e os militares das forças leais a Bashar Assad.

MAREA, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h01

Desde o levante na segunda mais importante cidade do país, há 10 dias, os rebeldes de Alepo parecem alheios às divergências diplomáticas entre Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, de um lado, e Rússia e China, de outro, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Também não têm expectativa de que uma intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) possa lhes garantir qualquer proteção contra o regime. "Não recebemos armas de outros países, como dizem. O que veio foi alguma coisa da Otan que estava na Líbia", disse Ocaidi.

Os rebeldes de Alepo tampouco mencionam qualquer interlocução com o Conselho Nacional Sírio (CNS), o órgão que reúne os representantes políticos da dissidência. A distância é tanta que ontem o chefe do CNS, Abdel Baset Sayda, pediu justamente para que países estrangeiros armassem os rebeldes de Alepo com urgência.

Alguns dos líderes políticos da dissidência no exílio são rejeitados com veemência pelos insurgentes. Entre os nomes mais criticados está o de Manaf Tlass, amigo de infância do ditador Bashar Assad e ex-general que desertou há menos de dois meses. Seu nome estaria sendo fomentado pela diplomacia ocidental para liderar o governo de transição em caso de queda de Assad. "Tlass é uma fraude. Esse homem não vale nada. Não queremos ele no poder e não vamos aceitar que ele seja imposto", disse o professor de Literatura e Língua Ahmed Ajouz, 23 anos, morador do bairro de Sakhour, na periferia leste de Alepo. / A.N.

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