REUTERS/Ammar Abdullah
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Rebeldes sírios afirmam que conseguiram romper cerco imposto em Alepo

Extremistas explodiram vários carros-bomba e se valeram de ataques suicidas contra o muro ao redor do complexo de escolas militares, abrindo brechas pelas quais entraram na região

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2016 | 19h26

BEIRUTE - A coalizão da oposição síria anunciou neste sábado, 6, que os rebeldes conseguiram romper o cerco imposto há três semanas pelo regime aos bairros controlados pelos insurgentes na cidade de Alepo, no norte do país. "Os rebeldes romperam o cerco", afirmou em um tuíte a coalizão da oposição, estabelecida no exterior.

Um dos principais grupos islamistas envolvido nos combates, Ahrar al Sham, afirmou em sua conta no Twitter que o avanço dos rebeldes abriu o caminho para Alepo.

Os extremistas explodiram vários carros-bomba e se valeram de ataques suicidas contra o muro ao redor do complexo de escolas militares, abrindo brechas pelas quais entraram na área, informou o jornal pró-regime Almasdarnews.

A Frente Fateh al-Sham (ex-Frente Al-Nusra, que renunciou aos seus laços com a Al-Qaeda) faz parte do Exército da Conquista. Neste sábado, o grupo anunciou que havia tomado o controle de duas academias militares e de uma terceira posição militar no mesmo setor. A televisão oficial síria informou, entretanto, que os combates prosseguiam em três lugares.

"Deus proverá uma vitória gloriosa para nossos combatentes, que vão quebrar o cerco de Alepo", afirmou em uma mensagem de áudio divulgada em sites extremistas, Abu Mohammad al-Jolani, o líder da Frente Fateh al-Sham. "O resultado da batalha será muito maior do que um levantamento do cerco. Ela vai mudar o equilíbrio de forças e preparar um novo capítulo na guerra", ressalta.

Mais de 500 combatentes - entre insurgentes, jihadistas e forças pró-regime - morreram em uma semana, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). "Mais de 500 combatentes nas fileiras do regime e dos jihadistas e rebeldes islamistas perderam a vida em Alepo desde domingo", informou a ONG. "A maioria dos mortos são de insurgentes em razão dos bombardeios aéreos", acrescentou a fonte.

Alepo, a segunda maior cidade do país, está dividida desde 2012 em duas partes: uma sob o controle dos rebeldes, a leste, e outra em mãos do regime, a oeste.

Além disso, a coalizão de forças árabes-curdas apoiada por países ocidentais protagonizou uma grande vitória contra os extremistas do Estado Islâmico (EI) ao conquistar seu reduto de Minbej. O local era a principal rota de abastecimento do EI, entre a fronteira turca e Raqqa, a capital de facto dos extremistas na Síria.

Desde sua deflagração em 2011, após a sangrenta repressão a manifestações pacíficas pró-reformas, a guerra na Síria deixou mais de 280 mil mortos e milhões de deslocados. / AFP e EFE

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