AP
AP

Rebeldes sírios anunciam fim de compromisso com plano de paz de Annan

'Começaremos a defender nosso povo', disseram os rebeldes; major quer decisões mais 'corajosas'

Reuters,

04 de junho de 2012 | 16h20

BEIRUTE - Os rebeldes sírios não estão mais comprometidos com o plano de paz apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que não conseguiu pôr fim à violência e lançaram ataques a forças do governo para "defender nosso povo", disse um porta-voz nesta segunda-feira, 4.

Veja também:

link Assad diz que Síria enfrenta 'verdadeira guerra' contra o terrorismo

link Brasil condena massacre de Hula, na Síria, mas mantém diálogo com país

video ONU pede investigação independente sobre o massacre de Houla

"Decidimos encerrar nosso compromisso com isso (o plano) e, a partir dessa data (sexta-feira), começamos a defender nosso povo", disse à Reuters o major Sami al-Kurdi, porta-voz para o conselho militar rebelde, referindo-se ao prazo estabelecido para o presidente Bashar al-Assad acabar com a violência ou enfrentar as consequências.

Kurdi também disse que os rebeldes querem que a missão de observação da ONU no país seja transformada em uma "missão de aplicação da paz" ou que a comunidade internacional tome decisões "corajosas" e imponha uma zona de exclusão aérea e uma zona de proteção para ajudar a derrubar Assad.

A insurreição de 15 meses contra o governo de Assad (há 11 anos no poder) começou com protestos pacíficos, mas a Síria se aproxima de uma guerra civil, enquanto os rebeldes lutam contra a repressão violenta do governo.

A ONU enviou cerca de 300 militares desarmados à Síria para que observassem a implementação de um plano de paz proposto pelo enviado internacional Kofi Annan, com o objetivo de pôr fim à violência.

Após uma pausa inicial nos confrontos em 12 de abril, porém, o cessar-fogo não se manteve.

Kurdi afirmou que ao menos 2 mil pessoas foram mortas na Síria depois que o cessar-fogo supostamente entrou em vigor.

O massacre do dia 25 de maio de ao menos 108 pessoas, quase metade delas crianças, na região de Hula, na província de Homs, provavelmente foi o golpe fatal ao cessar-fogo. Annan pediu várias vezes que o governo e os rebeldes baixassem suas armas e trabalhassem com os observadores desarmados para consolidar o cessar-fogo.

"Retomamos nossos ataques, mas estamos fazendo ataques defensivos, o que significa que atacamos apenas postos de vigilância nas cidades e não desferimos ataques em campos ou postos maiores", disse Kurdi à Reuters de dentro da Síria. "O que aconteceu no fim de semana é parte de nosso plano do que dissemos que faríamos para proteger os civis."

O general Mustafa al-Sheikh, ex-comandante do Exército que agora lidera o conselho militar rebelde, disse à Reuters por telefone da Turquia que o plano de Annan é "natimorto". Ele pediu pela formação de uma coalizão militar internacional para lançar ataques a postos do Exército leais a Assad, similares aos ataques aéreos da Otan na Líbia, que permitiu que as forças rebeldes em terra colocassem um fim ao governo de Muammar Kadafi. "A demora da comunidade internacional em tomar uma decisão firme para formar uma coalizão militar fora do Conselho de Segurança para resolver o conflito levará a região a uma espiral de violência e a mortes sectárias", afirmou ele.

O secretário-geral da ONU, Ban-Ki-moon, entretanto, disse mais cedo na segunda-feira que o plano de paz de Annan permanecia central para a resolução do conflito na Síria.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.