Rebeldes sírios capturam base militar nos arredores de Alepo

Oposição fura cerco em torno da 2ª maior cidade do país e epicentro da guerra; forças de Assad dão sinais de debilidade

ALEPO, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h05

Rebeldes capturaram ontem parte de uma base militar que se estendia nos arredores de Alepo, formando uma espécie de cordão de isolamento em torno da segunda maior cidade da Síria e epicentro dos confrontos contra as forças de Bashar Assad. Cinco meses após o início da ofensiva na zona, considerada decisiva para a sorte do regime sírio, os rebeldes avançaram sobre áreas próximas à fronteira com a Turquia.

Pelo menos 140 soldados leais a Assad teriam fugido para uma base vizinha. Em outra emboscada, os rebeldes mataram 13 soldados na estrada que liga Alepo à capital, Damasco. Outros 20 oficiais das forças de Assad foram capturados em um posto na estrada que liga a cidade central de Salamiyeh a Raqqa, no norte.

Mais de 40 mil pessoas foram mortas no conflito na Síria, que já se arrasta por quase um ano. "A situação atual na Síria é uma mancha na consciência do mundo e a comunidade internacional tem a obrigação moral de enfrentá-la", disse ontem, em Oslo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, que ontem recebeu em nome da União Europeia o Prêmio Nobel da Paz (mais informações nesta página).

Os rebeldes fizeram avanços importantes nas últimas semanas ao tomar duas bases aéreas próximas de Alepo e Damasco. Há um mês, capturaram a base do 46.º regimento, também próxima a Alepo.

Em entrevista a uma emissora de Dubai, o general Manaf Tlass, primeiro militar de alto escalão do regime sírio a desertar para se unir à oposição, disse que o regime está "acabado". "Eu costumava falar com o presidente quatro vezes por dia e a vê-lo pessoalmente dia sim dia não. Tentei convencê-lo a reagir com os rebeldes. Ele evitava responder e dizia que eles eram gangues armadas", disse Tlass. "Eu disse a ele dezenas de vezes 'você deveria estar com seu povo'. Ele não respondia. Acabou... Eu o aconselho a deixar o país."

Militantes islâmicos. Segundo a organização Observatório Sírio para Direitos Humanos, com base na Grã-Bretanha, os rebeldes que tomaram a base de Sheik Suleiman, perto de Alepo, pertencem a grupos de militantes islâmicos radicais como Jabhat al-Nusra e Conselho da Shura Mujahidine, que reúnem combatentes sírios e estrangeiros e são motivo de apreensão para o Ocidente. Ligado à Al-Qaeda, o Jabhat al-Nusra está na lista de grupos considerados terroristas pelos EUA. / AP

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