Rebeldes sírios eram alvo de massacre, diz ONU

Missão de observadores das Nações Unidas visita Tremseh e encontra sinais de execução e casas queimadas; mais 88 pessoas morrem no país

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2012 | 03h03

A equipe de observadores da ONU na Síria conseguiu entrar ontem na cidade de Tremseh, palco de um massacre na quinta-feira. De acordo com os monitores, a maior parte das vítimas era de dissidentes que lutam contra o regime e desertores, o que contradiz a versão da oposição síria, segundo a qual os mortos eram civis. A missão, que evitou dar um número de mortos, voltará hoje ao vilarejo.

"O ataque parece ter sido dirigido a grupos e locais específicos, em sua maioria desertores e dissidentes", informou, em comunicado, a missão da ONU. "Havia manchas de sague no chão de várias residências, além de cápsulas de bala."

Ainda de acordo com os monitores internacionais, uma escola foi queimada e várias casas, destruídas, com sinais de incêndio em ao menos cinco delas. Há indícios de que foram utilizados desde armas leves até peças de artilharia. A missão chegou ao local após obter uma permissão do regime de Bashar Assad.

Os observadores, que vieram da capital Damasco em três veículos, se uniram a outro grupo que estava em Hama, também palco de violentos confrontos e reduto opositor, no centro do país, e seguiram para Tremseh.

Os rebeldes sírios denunciaram que mais de 220 civis foram mortos na cidade por forças leais a Assad. O Exército sírio, no entanto, desmentiu a versão e afirmou que enfrentou supostos grupos terroristas que vinham destruindo casas e cometendo assassinatos e sequestros.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou que 88 pessoas morreram no sábado em toda Síria. Das vítimas, 43 são civis, 17, rebeldes, e 28, militares leais a Assad. As mortes ocorreram em Hama, Damasco, Alepo e Idlib.

Na sexta-feira, dia seguinte ao massacre de Tremseh, ao menos 118 sírios morreram em combates com as forças de Assad e na repressão a manifestantes. Ontem, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha alertou que a Síria está em guerra civil. Mais de 17 mil pessoas já morreram no país. / AFP

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