Rebeldes sírios perdem posição estratégica

Insurgentes admitem que as forças oficiais os expulsaram de Salaheddine, bairro de Alepo que concentrava opositores; ditador nomeia novo premiê

ALEPO, SÍRIA, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h00

Os rebeldes sírios admitiram ontem ter perdido o controle do bairro de Salaheddine, região de Alepo tomada há três semanas pelas forças que tentam derrubar o ditador Bashar Assad. No mesmo dia, o presidente sírio nomeou seu novo primeiro-ministro, para substituir o ocupante anterior do cargo, Riyad al-Hijab - o mais alto funcionário do governo a abandonar o posto.

Os bombardeios das forças leais a Assad continuavam ontem em Alepo. O Exército Sírio Livre (ESL) confirmou que deixou Salaheddine, que servia de base estratégica aos insurgentes na segunda maior cidade do país. "Fizemos uma retirada tática. O bairro está completamente esvaziado de combatentes rebeldes. As forças do regime estão avançando", disse à France Presse o comandante opositor Hossam Abu Mohamed.

O centro da região, no entorno da mesquita de Salaheddine, estava esvaziado ontem, segundo jornalistas da Reuters que estiveram no local. Os únicos sons escutados eram ecos de explosões e disparos de artilharia. Nem rebeldes nem soldados das forças oficiais circulavam nas ruas. Apenas alguns moradores eram vistos retornando para pegar pertences e partir outra vez.

O espaço público estava coberto de destroços, que esmagaram carros estacionados nas vias durante os bombardeios dos últimos dias, quando, segundo os rebeldes, 30 pessoas foram mortas. Um forte cheiro de lixo tomava o ambiente.

Os rebeldes ainda controlam outros bairros de Alepo. Diversos locais que abrigam insurgentes no leste da cidade também foram bombardeados pelas forças oficiais ontem. De acordo com a TV estatal síria, combates ocorreram em Hanano. No sudeste, próximo ao aeroporto, também houve ataques do Exército e, segundo a imprensa estatal síria, uma cidade a noroeste de Alepo também foi atacada.

Jornalistas da Reuters no vilarejo de Tel Rafat - que na quarta-feira sofreu um ataque aéreo - afirmaram que a localidade, 35 quilômetros ao norte de Alepo, foi alvo de um novo bombardeio ontem. Os repórteres viram um caça disparando foguetes, o que causou pânico entre os moradores.

Assad nomeou como primeiro-ministro Wael al-Halki, um sunita, como a maioria dos opositores do ditador, da Província de Deraa, região do sul do país. Hijab, seu antecessor, ficou apenas dois meses no cargo e chegou na quarta-feira à Jordânia. A dramática fuga do ex-premiê foi mais um golpe contra a autoridade do presidente sírio, já abalada pelo assassinato de quatro de seus mais altos funcionários de segurança - ocorrido no mês passado - e os recentes avanços dos rebeldes, em Alepo, Damasco e zonas rurais da Síria.

O chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, pediu ontem em Teerã negociações "sérias e inclusivas" entre o governo da Síria e os rebeldes do país, na abertura de um encontro entre 28 países para discutir a crise em Damasco. A reunião, no entanto, não conta com a presença de nações ocidentais e vários vizinhos do Oriente Médio também não enviaram representantes.

A maioria dos países que participam do encontro mandou apenas embaixadores. De acordo com analistas políticos, a reunião de Teerã não deve produzir um plano sólido para impedir a violência na Síria. / REUTERS, AP e AFP

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