Rebeldes sírios planejam avançar em áreas que forem atacadas pelos EUA

Porta-voz do Conselho Militar Supremo diz que não há nenhuma coordenação com a operação dos EUA e o grupo trabalha com hipóteses de alvos dos bombardeios estrangeiros, que podem ocorrer a qualquer momento após a saída dos inspetores da ONU

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2013 | 02h05

Os rebeldes tentarão avançar no terreno sobre as posições atingidas pelos bombardeios americanos na Síria. O coronel Qassim Saadeddine, porta-voz do Conselho Militar Supremo, disse à agência Reuters que o comando unificado enviou planos de ação a grupos rebeldes em várias partes do país para aproveitar os bombardeios contra os alvos do regime, que devem ocorrer a qualquer momento após a partida dos inspetores da ONU.

"Esperamos aproveitar quando algumas áreas forem enfraquecidas pelos ataques", disse Saadeddine, em entrevista via Skype, acrescentando que não há uma coordenação entre as operações dos Estados Unidos e de seus aliados e o Exército Sírio Livre.

"Ordenamos que alguns grupos preparem seus combatentes em cada província, para quando o ataque ocorrer. Eles receberam um plano militar que inclui preparativos para atacar alguns dos alvos que esperamos que sejam atingidos pelos bombardeios estrangeiros, e alguns outros que esperamos atacar ao mesmo tempo."

O porta-voz disse que países estrangeiros não participaram da formulação desses planos, e os rebeldes não receberam nenhuma informação sobre os alvos que serão atacados pelos EUA e aliados. Segundo ele, os americanos não têm contato direto com o comando militar, mas apenas com líderes da Coalizão Nacional, que representa a oposição síria no exterior, e da qual o Conselho é o braço militar.

Os militares rebeldes sírios trabalham com a hipótese de que o ataque ocidental ocorrerá em breve, e durará cerca de três dias. Os grupos rebeldes locais enviaram ao Conselho Militar uma lista de alvos potenciais, que incluem quartéis-generais, bases aéreas, depósitos de armas, plataformas de lançamento de mísseis de maior envergadura, como os Scuds, e instalações das unidades de elite do regime, como a 4ª Divisão Blindada e a Guarda Republicana. Segundo a oposição, foram essas unidades que executaram os ataques com armas químicas - cuja autoria o governo sírio nega.

Inspetores. A equipe de 20 inspetores de armas químicas da ONU veio ontem por terra de Damasco para Beirute, de onde parte deles embarcou para Nova York, levando amostras de sangue e tecido humano, depoimentos de vítimas e outras evidências do uso de armas químicas na periferia da capital síria. Os inspetores visitaram durante três dias as áreas onde ocorreram esses ataques. Eles devem se reunir imediatamente com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para lhe informar o que encontraram, embora uma apresentação formal ao Conselho de Segurança e a outros países-membros da organização ainda deva levar alguns dias.

O presidente dos EUA, Barack Obama, não parece disposto a atender os apelos de Ban, para esperar essa apresentação antes de tomar uma decisão de atacar a Síria. Os EUA contam com cinco destróieres no Leste do Mediterrâneo, equipados com dezenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk, e o apoio militar da França. A Grã-Bretanha teve de recuar, após o Parlamento negar autorização ao premiê David Cameron para participar da ação. O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ontem a Obama que, como Nobel da Paz, pense nas vítimas que um ataque causará na Síria e exigiu que os EUA apresentem provas do uso de armas químicas pelo governo Assad.

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