Rebeldes sírios são suspeitos de crimes de guerra

Vídeo amador que exibe militares de Assad sendo torturados faz ONU emitir alerta contra violações em massa na Síria

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h02

A ONU denunciou ontem rebeldes sírios por suspeita de crimes de guerra e alertou que violações em massa perpetradas por ambos os lados do conflito estão crescendo a cada dia. O alarme soou em Genebra depois da difusão de um vídeo que mostra rebeldes sírios executando soldados que teriam se entregado.

"Como outros vídeos desse tipo, é difícil verificar imediatamente a localização e quem está envolvido", disse o porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville. "As acusações, porém, são de que esses eram soldados que não estavam mais combatendo. Portanto, parece muito provável que se trate de um crime de guerra. Mais um crime."

Colville indicou que o vídeo e a ação dos rebeldes serão investigados pela ONU. O trecho difundido mostra opositores executando de forma sumária um grupo de homens supostamente vinculados ao regime de Bashar Assad em Saraqeb, na Província de Idlib.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade com sede em Londres e próxima aos rebeldes, admitiu que as execuções ocorreram e foram precedidas de abusos e violações contra os soldados. Os militares haviam caído em uma emboscada.

Ontem, o Exército Sírio Livre (ESL) fez questão de denunciar a execução e garantiu que investigará e punirá os autores do massacre. "Até agora, não sabemos quem cometeu esses atos", declarou o grupo de oposição, em um comunicado.

Parte dos rebeldes tenta se distanciar do incidente, alertando que a emboscada e as mortes foram realizadas pelo grupo radical Jabat al-Nusra, ligado a Al-Qaeda. A organização seria responsável por uma série de atentados em Damasco e Alepo.

Há um mês, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a comissão de inquérito sobre os crimes na Síria, alertou para a radicalização do conflito e para a presença de jihadistas entre os rebeldes. O vídeo revela um grupo de rebeldes com uniformes similares aos do ESL. Nas imagens, há indicações de que parte dos soldados capturados sejam membros das shabiha, milícias armadas pelo governo para cometer atos de extrema violência.

Para a Anistia Internacional, não há dúvidas de que as imagens revelam "crimes de guerra" por parte dos rebeldes. O cálculo é de que pelo menos 28 soldados foram assassinados na região de Saraqeb.

Enquanto acusações começam a ser direcionadas aos rebeldes, o Conselho Nacional Sírio - órgão que deveria reunir a oposição política no país - lançou ontem um duro ataque contra Washington. O Departamento de Estado dos EUA declarou esta semana que o grupo não tem conseguido reunir a oposição em uma frente única e, portanto, estava na hora de uma nova organização ser formada.

Ontem, o grupo sírio reagiu, alertando que a oposição a Assad não será constituída pela Casa Branca e qualquer tentativa de criar novos grupos apenas "mina a revolta na Síria".

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