Rebeldes sírios tomam fronteira e êxodo cresce

Pelo menos 20 mil deixaram a Síria nas 24 horas após o ataque que matou ministro da Defesa e cunhado de Assad

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h05

Os sinais de instabilidade do regime de Bashar Assad continuam a se multiplicar. Um dia após o atentado que matou a cúpula do Ministério da Defesa e serviços de segurança, mais de 20 mil pessoas correram à fronteira com o Líbano para deixar o país, enquanto postos de imigração com a Turquia e o Iraque foram tomados por rebeldes do Exército Sírio Livre (ESL). Segundo a oposição, só ontem mais de 250 pessoas morreram em todo o país.

Em meio a uma onda de rumores sobre o fim iminente da ditadura, Assad reapareceu, supostamente em Damasco, para a posse do novo encarregado de combater os rebeldes. O êxodo aumentou após as mortes de altas autoridades do regime, entre os quais o ministro da Defesa, general Daoud Rajha, e o vice-ministro, Assef Shawkat, cunhado de Assad.

De acordo com as autoridades aduaneiras do Líbano, mais de 20 mil pessoas deixaram o país nas 24 horas seguintes aos atentados, número muito acima da média, de 5 mil por dia, que cruzam o posto de fronteira de Masnaa desde a intensificação dos conflitos. A maior concentração se dá nas regiões de Tyr, Zahrani, Bint Jbeil e Nabatiyeh, segundo balanço da agência al-Markazia.

Se os dados se confirmarem, o número de sírios inscritos nas listas da Agência da ONU para os Refugiados, que até agora somavam 26,9 mil no Líbano, dobrarão. Uma das preocupações diz respeito às instalações precárias para os novos refugiados, que chegam ao país e recebem colchões, cobertores e comida. Não há campos com capacidade suficiente para atender à demanda.

"É preciso parar a violência de todos os lados e recomeçar o diálogo", disse ao Estado Aziz al-Atassi, um dos refugiados que entrou no Líbano após os atentados. "A violência também é cometida pela oposição, assim como pelo regime."

Outro indício do recrudescimento do conflito foi a tomada dos postos de fronteira. O primeiro a cair em poder dos rebeldes foi o de Bab al-Hawa, na Província de Idlib, onde cartazes de Assad foram destruídos diante de cinegrafistas amadores. Em Boukamal, próximo à cidade de Qaim, no Iraque, a situação seria semelhante, segundo autoridades iraquianas. Também em Masnaa a permeabilidade da fronteira é notável. Traficantes e taxistas se oferecem para levar estrangeiros ao interior da Síria, alguns prometendo corromper as forças leais ao regime.

Com o avanço do conflito, a batalha por Damasco segue intensa. Ontem, novos relatos indicavam batalhas na periferia, em Mazzé, no oeste da capital, mas também em Tadamoun e por Yarmouk, no sul, e em regiões do centro da cidade.

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