Rebeldes taleban firmam cessar-fogo no Paquistão

Trégua de dez dias em Swat, um dos focos da insurgência, foi anunciado depois de Islamabad concordar em assegurar lei islâmica na região tribal

Reuters, Islamabad, O Estadao de S.Paulo

16 de fevereiro de 2009 | 00h00

Militantes do Taleban da Província de Swat, noroeste do Paquistão, anunciaram ontem um cessar-fogo de dez dias para dialogar com o governo. O acordo foi firmado após as autoridades paquistanesas se comprometerem a garantir a sharia (lei islâmica) em partes da região tribal - principal reivindicação de líderes locais ligados ao Taleban.A trégua deverá reduzir os duros combates entre militantes islâmicos e o Exército paquistanês na Província de Swat. A violência intensificou-se desde novembro de 2007, depois que Islamabad decidiu reforçar sua presença militar na região tribal, antes um dos principais destinos turísticos do país, para conter a insurgência e combater refúgios da Al-Qaeda. Acredita-se que Osama bin Laden esteja na região entre o Afeganistão e o Paquistão.Mas analistas indicam que Washington deve criticar a concessão, sob o argumento de que tréguas desse tipo dão tempo para os insurgentes se reorganizarem. Apesar de várias tentativas de acordo com o Taleban já terem fracassado, o Paquistão afirma ser impossível derrotar os militantes apenas pela força, sem uma negociação política. O acordo de trégua foi alcançado após uma visita do enviado dos EUA à região, Richard Holbrooke, que pressionou por uma solução para o conflito.Estratégica, a região de Swat serve de base para ataques contra tropas americanas e da Otan no Afeganistão. O acordo com o Taleban está sendo visto como um teste sobre a capacidade de controle do governo do presidente Asif Ali Zardari em seu território. Em entrevista a TV CBS, Zardadi reconheceu que o Taleban se estabeleceu em "grande parte do país".SEQUESTROSTambém na Província de Swat, um engenheiro chinês foi solto por militantes islâmicos após passar mais de cinco meses sequestrado. A libertação de Long Xiaowei seria um "gesto de boa vontade" ao povo chinês, afirmou um porta-voz insurgente na região.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ajuda a Islamabad para libertar o funcionário da organização, John Solecki, sequestrado no dia 2. Ainda ontem, foram enterradas as 30 vítimas do ataque americano de sábado. Os EUA afirmam que todos eram do Taleban.

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