Rebeldes taleban ocupam sete vilarejos no Afeganistão

Cerca de 500 militantes invadem distrito próximo de Kandahar, três dias após espetacular ataque a prisão

WASHINGTON POST E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2008 | 00h00

Centenas de milicianos do grupo fundamentalista islâmico Taleban tomaram ontem o controle de sete vilarejos próximos de Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão. Segundo funcionários afegãos, cerca de 500 rebeldes invadiram os vilarejos no distrito de Argandab, três dias após um espetacular ataque contra a prisão de Kandahar e a fuga de entre mil e 1,2 mil prisioneiros, na maioria integrantes do Taleban.Agha Lalai Wali, funcionário da Comissão de Paz e Reconciliação, patrocinada pelo governo, disse que os rebeldes começaram a chegar à área no domingo à tarde e montaram vários bloqueios no distrito. Citando informações de moradores, Wali afirmou que dezenas de rebeldes, que aparentavam ser de origem paquistanesa ou árabe, passaram em picapes pela área pouco antes da ocupação.Um porta-voz do Ministério de Defesa, brigadeiro M. Zaher Azimi, disse ontem que centenas de soldados estão sendo enviados de Cabul para o sul do Afeganistão para preparar uma contra-ofensiva. Funcionários da Otan informaram que soldados das forças internacionais serão enviados para apoiar os soldados afegãos.Kandahar, uma cidade de 450 mil habitantes, é considerada o principal reduto do Taleban e os rebeldes que tentam se infiltrar na cidade freqüentemente usam Argandab como acesso. O distrito era relativamente pacífico até que o líder local, o mulá Naqib, morreu no ano passado. Desde então, Argandab tem sido cenário de intensos combates entre as forças da Otan e os rebeldes.''O Taleban está ficando cada vez mais forte e o ataque à prisão elevou ainda mais seu moral'', disse Wali.O governo do Paquistão convocou ontem o embaixador do Afeganistão para protestar oficialmente por declarações do presidente afegão, Hamid Karzai. No domingo, Karzai disse: ''Quando os militantes vêm do Paquistão para matar afegãos e soldados das forças de coalizão, eles dão ao Afeganistão o direito de revidar e fazer o mesmo.''Karzai já havia pedido ao governo paquistanês e às forças internacionais que enfrentassem os militantes no Paquistão, mas nunca havia ameaçado enviar seus soldados além da fronteira.O presidente americano, George W. Bush, disse ontem que Washington pode ajudar a acalmar a ''tensa situação'' entre o Afeganistão e o Paquistão, mas rejeitou endossar o envio de forças afegãs ao território paquistanês como forma de conter os rebeldes. Bush pediu aos líderes afegão e paquistanês que conversem e compartilhem informações de inteligência como forma de combater o Taleban.A Grã-Bretanha anunciou que enviará mais 230 soldados ao Afeganistão, elevando para 8.030 o total de militares britânicos no país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.