Bryan Denton/The New York Times
Bryan Denton/The New York Times

Rebeldes tomam quartel-general de Kadafi, mas não encontram ditador

Forças leais ao governo ainda resistem em várias cidades do país l Em mensagem para seus seguidores, líder diz que fuga de palácio foi manobra estratégica l Alemanha trabalha na ONU para que dinheiro de Kadafi seja enviado de volta à Líbia

Nyt e Reuters, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

O complexo de Bab al-Azizia, quartel-general de Muamar Kadafi e símbolo máximo de sua ditadura de 42 anos, foi tomado ontem pelos rebeldes em Trípoli. Não se sabe o paradeiro de Kadafi. Seu governo não se rendeu e parte do complexo continuava até o final da noite de ontem sob controle das forças leais ao ditador.

Numa mensagem que conseguiu transmitir por rádio, ontem à noite, a seus partidários, o ditador disse ter feito apenas "uma retirada estratégica" ao deixar o complexo de Bab al-Azizia e reiterou que resistiria aos rebeldes "até a vitória ou a morte".

A maior parte da capital líbia, Trípoli, está sob o domínio rebelde e a invasão do complexo era uma das cenas mais aguardadas pelos opositores durante os seis meses de guerra. Centenas de rebeldes armados de fuzis e foguetes portáteis entraram pelo portão principal do QG, depois de enfrentar a resistência dos soldados das brigadas de elite.

Foram exibidas imagens dos rebeldes destruindo estátuas - incluindo a icônica mão dourada esmagando um jato americano. Eles ainda tomaram os depósitos de armas e munição.

Os combatentes lutaram durante cinco horas com os soldados de Kadafi até romper a resistência. Ao entrar, os rebeldes fuzilaram e espancaram alguns dos homens que guardavam o portão. Grande quantidade de armamento, incluindo peças de artilharia sobre caminhonetes e fuzis, alguns ainda na caixa, foram confiscados pelos rebeldes.

A tomada de Bab al-Azizia coroou três dias de avanço dos rebeldes, que entraram em Trípoli no domingo, depois de assumir o controle total de Zawiya, cidade localizada a oeste da capital, e Garyan, 80 km ao sul. Com essas conquistas, no fim da semana, formou-se um anel em torno de Trípoli, cortando as linhas de suprimento do regime. Os rebeldes já controlavam o leste. Ao norte, a costa mediterrânea é vigiada por navios e aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que apoia os insurgentes. Segundo os rebeldes, ao menos 400 pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas nos combates em Trípoli. Tentando reverter o prejuízo, as forças de Kadafi lançaram ontem vários mísseis Scud contra a cidade de Misrata.

Ofensiva. O dia começou com um revés para os rebeldes. Saif al-Islam, filho de Kadafi e que era preparado para ser seu sucessor, reapareceu de madrugada na frente do Hotel Rixos, em Trípoli, onde cerca de 300 jornalistas estrangeiros credenciados pelo regime estão hospedados. Em tom desafiante, Saif garantiu que as forças do regime haviam "quebrado a espinha dorsal" dos rebeldes e ainda tinham o controle de boa parte da capital.

Exibindo a barba que deixou crescer depois que resolveu atrair a simpatia dos fundamentalistas islâmicos que participam do levante, mas se mostram desconfortáveis com os oposicionistas mais liberais, Saif garantiu que seu pai estava bem e continuava em Trípoli.

Dezenas de jornalistas estão presos no hotel há dias, desde que forças de Kadafi cercaram o local. Testemunhas informaram ter presenciado tiroteios na frente e no interior do edifício.

O porta-voz do regime disse que as forças de segurança detiveram quatro combatentes do Catar e um da Arábia Saudita que estavam com os rebeldes.

Países da coalizão que apoia os rebeldes confirmaram que desconhecem o paradeiro de Kadafi, mas pediram que ele se entregue. Guma el-Gamaty, porta-voz do opositor Conselho Nacional de Transição, com sede em Benghazi, disse crer que o ditador ainda está no país. "Cedo ou tarde, será encontrado e preso - é o resultado que esperamos -, mas se resistir, será morto", disse o porta-voz.

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