Rebeldes usam tanque capturado contra governo sírio

Em mais um dia violento na Síria, os rebeldes utilizaram um tanque de guerra capturado das forças do governo para bombardear uma base aérea em Alepo. Em Damasco, capital do país, ativistas reportaram que o regime do presidente Bashar Assad lançou novas incursões contra combatentes da oposição, matando dezenas.

AE, Agência Estado

02 de agosto de 2012 | 10h55

As informações vindas de Alepo são as primeiras indicações de que os rebeldes estão começando a usar as armas pesadas que conseguiram tomar do Exército nas últimas semanas. O Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo de oposição baseado em Londres, disse que o tanque controlado pelos rebeldes disparou contra o aeroporto militar de Menagh, nos arredores de Alepo, o qual as tropas do regime utilizam para lançar ofensivas.

O acontecimento representa um aumento de escala nas batalhas entre os dois lados, já que, até recentemente, os rebeldes sofriam com a imensa disparidade de armamentos com os militares, que também têm à disposição caças e helicópteros.

Moradores de Alepo contaram que a internet e os telefones celulares quase não funcionam desde a noite de quarta-feira, o que aumentou os temores de uma investida iminente do regime contra a cidade. Mas até o início da tarde, só o que se percebeu foram os já rotineiros confrontos no bairro de Salaheddine, disse o morador Abu Adel para a Associated Press.

Também foram registrados bombardeios pesados na cidade de Azaz, próxima à fronteira com a Turquia, que está nas mãos dos rebeldes há semanas. Perder o controle da cidade seria um sério golpe contra a oposição, pois nela existe um posto de fronteira que facilita a chegada de suprimentos e armas.

Em Damasco, o governo anunciou nesta quinta-feira uma série de incursões contra rebeldes nos bairros da região sul da cidade, matando e prendendo "terroristas" (que é como o governo refere-se à oposição). Outras operações foram realizadas no distrito de Muhajireen, próximo ao palácio presidencial, onde 20 pessoas fora detidas, contou o ativista Abu Qais, que está na capital.

Abu Qais afirmou que 20 pessoas foram assassinadas em batidas no subúrbio de Yalda, sul de Damasco, enquanto o Observatório reportou 47 mortes na vizinhança de Jdaidat Artouz, no sudoeste. Vídeos dos acontecimentos de quarta-feira, postados na internet por ativistas, mostram pilhas de corpos ensaguentados, muitos com buracos de bala visíveis. Não foi possível verificar a autenticidade das filmagens com fontes independentes.

A violência vem causando um crescente clamor internacional contra a maneira que a Síria lida com a revolta que já dura 17 meses, em que ativistas estimam que 19 mil pessoas foram mortas.

Está marcada para a sexta-feira, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a votação da resolução proposta pelos países da Liga Árabe que pede a renúncia de Assad. A Assembleia composta por 193 membros não possui mecanismos legais para forçar a resolução, mas uma vitória por ampla maioria carregaria poder simbólico e moral.

Já o Programa Alimentar Mundial da ONU alertou nesta quinta-feira que a situação humanitária na síria está cada vez pior, com quase 3 milhões de pessoas precisando de comida pelos próximos 12 meses - mais de 10% da população do país, de 22 milhões de habitantes. As informações da Associated Press.

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