Khaled Abdullah / Reuters
Khaled Abdullah / Reuters

Rebeldes xiitas ocupam embaixada americana após golpe no Iêmen

Representações diplomáticas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França foram esvaziadas em meio a tensão institucional no país

O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 10h17

SANAA - Os Estados Unidos, o Grã-Bretanha e a França fecharam suas embaixadas no Iêmen depois do movimento xiita houthi ter tomado o poder no país. No começo da tarde, a representação diplomática americana foi ocupada por soldados rebeldes.

O fechamento das embaixadas foi anunciado num momento em que rebeldes houthis, armados com rifles de assalto Kalashnikov e vestindo uniformes policiais e roupas civis, patrulhavam as principais avenidas da capital, Sanaa, alguns em picapes com armamento antiaéreo.

Protestos difusos podiam ser vistos na cidade, com manifestantes criticando os houthis por terem tomado o poder e dissolvido o Parlamento. Lojas fecharam mais cedo e helicóptero sobrevoavam a cidade.

Os houthis atacaram um desses protestos, esfaqueando e espancando manifestantes que tentavam chegar ao escritório local da Organização das Nações Unidas, informaram testemunhas. Os rebeldes detiveram várias pessoas, disseram as fontes.

Na cidade de Bayda, região central do país, também controlada pelos houthis, os rebeldes dispersaram outro protesto, ferindo um coordenador do movimento contrário ao grupo, afirmaram testemunhas.

Em Taiz, a cidade mais populosa do Iêmen, s que não foi tomada pelos houthis, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra o grupo.

Na manhã desta quarta-feira, o ministro britânico para o Oriente Médio, Tobias Ellwood, pediu aos cidadãos  do país que ainda estiverem no Iêmen que "saiam imediatamente", enquanto a embaixada retirava seus funcionários do país. A medida foi anunciada depois de o Departamento de Estado namericano confirmar o fechamento da embaixada dos Estados Unidos em Sanaa e a retirada de seu pessoal. A embaixada francesa vai fechar na sexta-feira.

"A situação de segurança no Iêmen continua a se deteriorar nos últimos dias", declarou Ellwood. "Infelizmente, julgamos que os funcionários e as instalações de nossa embaixada estão em risco crescente."

As missões diplomáticas de muitos países do Golfo Pérsico que se opõem aos houthis já retiraram seus funcionários do país. O Iêmen está em crise há meses, desde que os rebeldes xiitas iniciaram sua ofensiva, em setembro.

Autoridades americanas disseram que o fechamento da embaixada no país não afetará as operações de contraterrorismo contra o ramo iemenita da Al-Qaeda, que é considerada pelos Estados Unidos o braço mais perigoso do grupo terrorista.

Na terça-feira, Abdel-Malek al-Houthi, líder dos rebeldes xiitas, advertiu seus inimigos a não ficar no caminho de seu movimento e criticou governos estrangeiros por retirar seus diplomatas do país.

"Não aceitaremos pressões. Elas não têm utilidade", disse al-Houthi em discurso divulgado pela rede de TV dos rebeldes, a al-Masseria. "Quem quer que prejudique os interesses deste país verá que seus interesses neste país também serão prejudicados." / AP

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