Receita venezuelana cai 50% no ano, admite governo

Endividado e com o petróleo em queda, Chávez consolida plano de nacionalizar prestadoras de serviços

AP, AFP E NYT, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

O ministro de Economia venezuelano, Alí Rodríguez, afirmou ontem que as receitas do petróleo da Venezuela caíram pela metade este ano, em comparação a 2008, por causa da queda do preço do produto. "De uma média de US$ 87 por barril de petróleo que tivemos no ano passado, no primeiro trimestre (deste ano) tivemos uma média de apenas US$ 42; isso implica numa forte queda da receita e incide no crescimento da economia", disse Rodríguez à TV Venevisión.No primeiro trimestre, o PIB teve um crescimento de 0,3%. No mesmo período do ano passado, o PIB cresceu 4,8%. Em 2008, a Venezuela recebeu US$ 87,4 bilhões em exportação de petróleo. Analistas estimam que a Venezuela deixará de receber este ano cerca de US$ 50 bilhões. O governo, que inicialmente havia fixado a meta de crescimento para 2009 em 6% do PIB, declarou que o objetivo agora será evitar a recessão.NACIONALIZAÇÃOO governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, tomou o controle ontem de mais 35 empresas que prestam serviços especializados à indústria petrolífera. Na semana passada, o governo já havia assumido o controle de outras 40 companhias, como parte de um processo de nacionalização de ativos de prestadoras de serviços, para ampliar o controle estatal da indústria petrolífera. As empresas afetadas prestam serviços, entre outros, de lanchas para transporte de pessoal, rebocadores e injeção de água nos poços para a manutenção da pressão do petróleo. A forte queda na receita do petróleo acentuou os problemas da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), levando Chávez a apossar-se de ativos das dezenas de prestadoras em vez de pagar-lhes dívidas avaliadas em mais de US$ 10 bilhões.O texto da resolução prevê que a PDVSA, ou a filial escolhida pela estatal, passará a controlar as operações e instalações das empresas. Chávez disse que os 8 mil funcionários do setor privado petrolífero serão absorvidos pelo governo. O presidente afirmou que a tomada desses bens permitirá uma redução de 20% nos custos da produção de petróleo e ajudaria a baixar em US$ 500 milhões os gastos anuais da PDVSA.O processo coincide com alguns problemas de atraso nos pagamentos feitos pela PDVSA desde 2008 a prestadoras de serviço nacionais e estrangeiras. Em setembro, as faturas não pagas pela estatal atingiram US$ 7,8 bilhões.

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