Rafael Manzutti/ACRIMAT
Rafael Manzutti/ACRIMAT

Recessão afeta importação de gado brasileiro

Venezuela despenca na lista de compradores nos primeiros oito meses do ano; lucro da estatal PDVSA cai em 63%

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2016 | 05h00

A crise econômica e política que se aprofunda a cada dia na Venezuela levou o país a reduzir drasticamente a importação de gado do Brasil. Segundo informações do Broadcast Agro, serviço em tempo real da Agência Estado, no ano passado, o país vizinho comprou 57% das cabeças de gado em pé exportadas pelos criadores brasileiros. Nos primeiros oito meses deste ano, o número caiu para 4,53%.

Na terça-feira, a Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal do petróleo venezuelana, anunciou a investidores que seu lucro operacional caiu em 63% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2015. A empresa lucrou, nos primeiros três meses deste ano, US$ 2,09 bilhões, contra US$ 5,7 bilhões dos primeiros três meses do ano passado.

O país depende quase exclusivamente da venda do petróleo para sua receita em moeda forte – estima-se que 94% dos dólares de que a Venezuela dispõe venham dessa fonte.

A queda nos preços do barril do produto agravou a já aguda crise econômica e social venezuelana. Com uma dependência quase total de importações em setores como os de alimentos, produtos de higiene, medicamentos e insumos hospitalares, a diminuição das divisas disponíveis em dólar intensificou a escassez nas prateleiras dos supermercados estatais e privados – filas de centenas de pessoas são comuns nas lojas de todo o país.

Nesta quinta-feira, o ministro do Petróleo e Mineração venezuelano, Eulogio del Pino, celebrou a decisão tomada pela Opep na quarta-feira de limitar a produção de petróleo para melhorar os preços da commodity. Segundo Del Pino, uma queda na produção mundial “permitirá resgatar a estabilidade dos preços para manter os investimentos que requer essa indústria”. 

A escassez de dólares também alimenta o câmbio paralelo no país, impulsionando o mercado negro da moeda americana e de mercadorias. / AE, com REUTERS e EFE

 

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