Recessão ronda o país enquanto números oficiais ficam ocultos

CENÁRIO: Eyanir Chinea / REUTERS

O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2014 | 02h01

Os corredores dos centros comerciais da Venezuela estão mais vazios, com luxuosas lojas fechadas e menos pessoas do que há um ano. Apesar de o governo não ter publicado números sobre a atividade econômica desde o começo do ano, analistas e empresários garantem que a Venezuela está em recessão.

Num país habituado a forte consumo, em parte por sua riqueza petrolífera, a queda das vendas serve como termômetro econômico. De acordo com dados privados da câmara de empresas Consecomercio, as vendas a varejo se reduziram cerca de 50% no primeiro semestre. Mas também outros setores-chave, como a construção e a indústria manufatureira, teriam encolhido até 10% no mesmo período, segundo suas respectivas associações. E essas não são as únicas pistas que apontam para uma recessão.

"Um indício do possível começo de uma recessão a partir do primeiro trimestre de 2014 pode ser a queda anual de 7,2% na arrecadação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA)", segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), respeitada pelo governo de Nicolás Maduro.

Apesar de os setores financeiro, petrolífero e de telecomunicações não estarem tão mal como os outros, a Cepal assegura que a economia venezuelana será a única da região que fechará o ano no vermelho, com uma retração de 0,5%.

Maduro até agora não se referiu pontualmente aos indícios de recessão, mas assegura que está sendo vítima de uma "guerra econômica" forjada pela oposição com apoio de Washington. Para empresários, porém, as razões da paralisação são o controle do câmbio que demora na entrega de divisas para importação de insumos, controles de preços que muitas vezes obrigam a vender com prejuízo e a falta de diálogo com o governo.

Diferentemente da recessão que começou em 2009, os problemas atuais da Venezuela ocorrem quando os preços do petróleo estão em cerca de US$ 100 o barril, um nível que o país considera adequado. A menor arrecadação fiscal se traduz em menos dinheiro para gastar. E isso começou a afetar a capacidade do governo de beneficiar os venezuelanos pobres, que recebem subsídios e têm sido, há anos, a base de apoio popular do socialismo instaurado por Chávez.

Mas Maduro insiste em que tem dinheiro para pagar compromissos internacionais e cobrir as importações de que a Venezuela precisa. Disse até que o desemprego caiu em julho para seu nível mais baixo em 30 anos e a carteira de crédito dos bancos cresceu. Nas ruas, a sensação é menos otimista.

É JORNALISTA

Tudo o que sabemos sobre:
Venezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.