Recessão traz novos hábitos de alimentação

No fim dos anos 90, o frango barato no Brasil se transformou no símbolo da estabilidade dos preços. Agora, esse alimento indica recessão. Na Espanha, a crise profunda que já tirou emprego de 5 milhões de pessoas obrigou famílias inteiras a apertar o cinto e modificar hábitos alimentares.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura da Espanha indicaram que, enquanto a venda de carnes mais caras, como a bovina, a suína e a de cordeiro caiu, o consumo de frango, aumentou. A venda de carne congelada, também mais barata, subiu 51%.

Os espanhóis estão consumindo menos em 2011. A queda de vendas no setor de supermercados é de 12,5%. Os setores mais afetados foram os de móveis, carros e produtos para casa, mas os alimentos também sofrem.

Gastos com carne bovina caíram em 3,4% no mês de abril, contra um corte de mais de 10% na carne de cordeiro. A tradicional carne suína, presente em muitos dos pratos, também sofreu uma queda de quase 5%. A venda de carne de coelho e pescados usados para a paella também diminuiu.

Pelas cidades, casas fechadas e abandonadas são sintomas de milhares de pessoas que não tiveram como pagar suas hipotecas. Nas prefeituras e governos regionais, a ordem é cortar até mesmo a entrega de água para funcionários. Na Catalunha, o governo anunciou o corte de 10% do salário de todos os funcionários.

No total, as cidades acumulam dívidas de 7 bilhões no país e deixaram de investir em vários setores. Em algumas localidades, até a iluminação pública está sendo parcialmente cortada.

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