Recomeça debate sobre votação da Constituinte na Bolívia

Os legisladores socialistas da Bolívia reinstalaram nesta quinta-feira a Assembléia Constituinte, diante da presença de poucos opositores, com o intuito de revisar seu sistema de votação, na véspera de uma mobilização em quatro regiões convocada para exigir o respeito à lei.A sessão da Constituinte boliviana, transmitida pelo canal estatal de televisão, foi aberta tendo um único tema, o mesmo que motivou sua interrupção há duas semanas e que hoje fez com que a maioria dos opositores participantes da assembléia não comparecesse.Os constituintes do Movimento Ao Socialismo (MAS) rejeitaram o pedido da centrista União Nacional (UN) para que o debate sobre o sistema de votação fosse adiado até segunda-feira e decidiram debater o polêmico artigo 71, que estabelece que a maioria dos participantes deve aprovar o novo texto constitucional. Ao começar o debate, o chefe da bancada do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Guillermo Richter, defendeu a postura daoposição sobre a necessidade de a norma vigente ser respeitada.Richter, um dos três participantes da assembléia rivais ao governo presentes na sessão, frisou que os dois terços são o sistema reconhecido pela atual Carta Magna, pela lei de convocação da Assembléia Constituinte e pela tradição democrática boliviana.O opositor acusou o MAS de pecar por uma "extrema ideologização que lhe cobre o horizonte da compreensão" e exigiu que o funcionamento interno da Assembléia não seja "ideologizado", mas "ajustado às leis".O legislador assegurou que os dois terços "não são capricho, mas uma atitude para dar legitimidade à Assembléia Constituinte, para que as mudanças adquiram e recolham o sentimento coletivo de transformação da Bolívia". Richter, que foi senador de seu partido, pediu ao MAS "que saiba medir a verdadeira dimensão da responsabilidade de levar adiante um processo de mudança sem traumas, no marco da legalidade". Disse ainda que "o contrário" introduziria "terríveis ingredientes" que poderiam "afetar a paz social" do país.O constituinte também defendeu os departamentos de Beni, Santa Cruz, Pando e Tarija, que reivindicam um compromisso do bloco socialista na Assembléia para garantir o sistema autônomo de gestão pelo qual votaram num plebiscito em julho passado.Por sua vez, os primeiros representantes do MAS a participar do debate criticaram a ausência dos opositores que pediam a revisão do regulamento interno e propuseram que também fossem discutidas as conseqüências dos protestos realizados em várias cidades do país.O constituinte Raúl Prada propôs medidas contra os líderes das regiões que ameaçam adotar uma autonomia "de facto", uma vez que estariam "passando à ilegalidade". Depois de tomar conhecimento da decisão da maioria socialista de analisar a questionada norma interna, o chefe da UN, Samuel DoriaMedina, expressou sua complacência, mas frisou que era necessário adiar a reunião até que os constituintes da assembléia retornassem a Sucre, a sede da Assembléia."O governo não pode ignorar mais o protesto que há em todo o país", disse o também constituinte e empresário do cimento. Segundo o vice-presidente da Assembléia Constituinte, Roberto Aguilar, existia a possibilidade de o debate se estender por várias horas e uma grande probabilidade de continuar nesta sexta-feira, data para a qual estão programadas manifestações em quatro Estados do país.

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