Reconciliação ou guerra civil

O premiê Nuri al-Maliki deve decidir se oferece uma real participação no poder à minoria sunita ou se segue com sua política de marginalização e repressão. "O país está numa situação em que ou há uma reconciliação como um Estado democrático ou uma explosão num caos, descambando para a guerra civil", diz Ihsan al-Shamari, professor de ciências sociais da Universidade de Bagdá.

Mohamed Ali Harissi , AFP/O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2014 | 02h03

O descontentamento dos sunitas aumentou nos últimos anos. Eles se sentem excluídos do poder e alvo das forças de segurança. A decisão de Maliki de expulsar os manifestantes de um acampamento nos arredores de Ramadi, dia 30, desencadeou a violência nas principais cidades da Província de Anbar. Os militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, em inglês) aproveitaram para assumir o controle de Faluja e de áreas de Ramadi. "As células mais ativas e importantes da Al-Qaeda estão agora próximas de Bagdá em razão das medidas erradas do governo", diz Isam al-Faili, professor da Universidade Mustansiriya, de Bagdá. "Com as contínuas crises políticas, o governo foi incapaz de ver o tsunami que chegava, o tsunami do ISIL." Os partidários da Al-Qaeda no Iraque perderam influência desde a invasão dos EUA, em 2003. Eles, porém, voltaram reforçados por sua atuação na Síria.

Em 2008, o Iraque teve certa calma depois de anos de confrontos sectários, principalmente porque Bagdá e militares americanos, ainda ativos no país, atraíram tribos sunitas contra a Al-Qaeda. Para analistas, Maliki tem de fazer algo assim agora. A minoria sunita dominou o país da 1.ª Guerra até a invasão de 2003 e seu sentimento de perda é um dos principais motivos da insurgência.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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