Reconstrução custará US$ 6 bilhões

Segundo ministropalestino, 5.510 casas foram destruídas e 30.920, danificadas; Catar pode bancar gastos

BEIT HANUN, FAIXA DE GAZA, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2014 | 02h01

Funcionários do governo do Catar, que financia o Hamas, aproveitaram o primeiro dia de trégua para vistoriar a devastação em Beit Hanun, 7 quilômetros ao norte de Gaza. A cidade foi uma das mais castigadas pelos mísseis israelenses, em razão da presença de baterias de foguetes no local e da proximidade a Tel-Aviv.

De origem palestina, Mazen Mohamed, um dos quatro funcionários, disse que o grupo pertence a um recém-criado Comitê de Reconstrução de Gaza. Eles conversavam com moradores de Salah, bairro de alto padrão da cidade. Não quiseram adiantar se o emirado arcaria com os custos da reconstrução, que o ministro de Obras Públicas e Habitação da Faixa de Gaza, Mufid Hassayna, estimou em US$ 6 bilhões.

Segundo o ministro, 5.510 moradias (casas e apartamentos) foram destruídas e outras 30.920 parcialmente danificadas pelos ataques. A situação lembra a guerra de 2006 entre Israel e o grupo xiita Hezbollah no Líbano. Terminado o conflito, a reconstrução logo foi iniciada, com ajuda do Irã.

O policial Shadi Masri disse que sua casa valia no mínimo US$ 130 mil. Como é comum nas extensas famílias árabes, moravam lá 30 pessoas - suas 2 mulheres, 11 filhos, os pais, irmãos, cunhadas e sobrinhos. Eles continuaram vários dias no sobrado, depois do início da ofensiva. Dormiam no andar debaixo. Até que os projéteis começaram a atingir a casa e eles tiveram de fugir. A família está morando em escolas.

"Não havia militares neste bairro", assegurou Masri. "Israel atacou os civis porque não tinha como atingir os militares e queriam punir os palestinos." No entanto, ele mesmo conta que perto de sua casa morava Yahya Harawa, libertado da prisão em Israel mediante troca de prisioneiros com o Hamas. Além disso, o Estado constatou que as casas de outros policiais foram bombardeadas.

No cemitério de Beit Hanun, também danificado pelos bombardeios, parentes e militantes do Hamas enterravam ontem o corpo do combatente Mohamed Abu Oda. Ele foi morto no bombardeio da casa de seus tios, que também morreram, assim como outros dois parentes. Oda havia capturado e matado um militar israelense. "Ele era membro das Brigadas Ezzedine al-Qassam", disse ao Estado um integrante do Hamas, referindo-se ao braço armado do grupo. "Estamos orgulhosos dele. Não diga que era civil."

Em Beit Hanun está também uma das três escolas da ONU atingidas por tanques israelenses. O pedreiro Bassan Hamdaan, que presenciou o ataque, contou que às 15 horas do dia 25 o prefeito de Beit Hanun, Sofran Hammond, veio avisar que Israel tinha alertado para esvaziar a escola, porque ia disparar seus tanques dentro de 3 horas, por causa de atividades militares do Hamas na área. No entanto, 5 minutos depois, os tanques começaram a disparar. Havia 1.250 pessoas abrigadas na escola, e muitos não tiveram tempo de fugir: 17 morreram, a maioria mulheres e crianças, e 150 ficaram feridas. / L.S.

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