Reconstrução da Líbia é tema de reunião em Paris

Representantes da União Europeia e da Liga Árabe discutem futuro do país norte africano; Brasil está entre participantes.

Jonathan Marcus, BBC

01 Setembro 2011 | 06h15

Líderes de diferentes países se reunirão nesta quinta-feira em Paris para traçar um projeto para o futuro da Líbia.

A discussão acontece em meio a um momento em que os combates no país do norte africano ainda não terminaram. O coronel Muamar Khadafi permanece foragido e rebeldes estão promovendo um cerco à sua cidade natal, Sirte.

Os rebeldes que formam o Conselho Nacional de Transição já contam com o reconhecimento da União Europeia e da Liga Árabe, entre outras nações, entre elas o Brasil, que estará representado pelo embaixador Cesário Melantonio Neto.

Até mesmo países que se opuseram à campanha aérea comandada pela Otan contra forças de Khadafi, como a Rússia e a China, estarão presentes. Mas diversos países ainda estão hesitantes em reconhecer os rebeldes do conselho de transição como o governo interino da Líbia.

O encontro em Paris visa estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estarão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Qatar, e o rei da Jordânia também participarão da reunião.

Objetivos

A reunião visa também reforçar a autoridade e o apoio em torno do Conselho Nacional de Transição, em meio à consolidação do controle dos rebeldes em torno da capital, Trípoli, e de outras áreas ainda nas mãos de forças leais a Khadafi.

O ponto de partida da reunião é o de traçar metas de reconstrução nacional, mas é distinto dos princípios que nortearam a reconstrução do Iraque e do Afeganistão, já que foi o próprio povo da Líbia que se insurgiu contra o regime de Khadafi, ainda que os rebeldes talvez não tivessem prevalecido se não fosse pelos ataques aéreos da Otan.

Mas a mudança de regime na Líbia tem sido essencialmente um projeto da Líbia e são os líbios que comandarão o processo de reconstrução de seu país no pós-guerra.

Há muito a reconstruir na Líbia. O trabalho é extenso e os problemas são inúmeros e urgentes. É preciso distribuir água, medicamentos e comida. A segurança precisa ser restabelecida, a economia e, em especial, a indústria petrolífera, precisam ser retomadas.

Existe também uma ambiciosa agenda para reconstrução política e constitucional. Instituições democráticas precisam ser construídas praticamente do nada.

O ânimo entre os governantes dos países ocidentais parece ser positivo. Segundo uma fonte do governo britânico, ''dados os problemas que eles herdaram, o progresso do Conselho Nacional de Transição é bastante promissor''.

Reconstrução e reconciliação

Mas em um país em que há diferenças regionais, tribais e de outras naturezas, muita coisa ainda pode dar errado. O importante é mostrar que a reconstrução e a reconciliação estão a caminho.

O Conselho de Segurança da ONU está discutindo uma resolução que liberaria os fundos da Líbia que estão bloqueados, o que permitiria que outros paises seguissem os exemplos da Grã-Bretanha e da França, que liberaram a verba líbia que haviam bloqueado.

Mas a resolução ainda enfrenta polêmicas e sua aprovação poderá demorar alguns dias. A África do Sul é um dos países que permanece incerto quanto a considerar o regime de Khadafi parte do passado.

A Líbia precisa de dinheiro rapidamente, para poder pagar funcionários públicos e para retomar a atividade econômica no país. É por isso que são tão importantes as cédulas de dinheiro impressas na Grã-Bretanha e enviadas ao país por meio de aviões da Força Aérea Real britânica - que representam uma cifra de cerca de 280 milhões de dinares (cerca 334 milhões).

Mas a Líbia, com seu potencial de lucros do petróleo e com uma população relativamente pequena, está longe de ser um caso perdido. Ela precisará de assistência para ser reconstruída. Mas há diversos candidatos a ajudar.

A Grã-Bretanha e a França, que pressionaram pela campanha aérea contra as forças de Khadafi e que comandaram a coalizão da Otan, querem despempenhar um papel de destaque na reconstrução da Líbia, assim como o tradicional parceiro econômico da Líbia na Europa, a Itália.

Dentro em breve, deverá haver uma pressão em estabelecer transações comerciais. Nos bastidores, essa pressão pode até já ter começado.

Mas no momento a ênfase é na diplomacia. A esperança é de que um encontro mais formal dos ''amigos da Líbia'' seja realizado paralelamente à Assembleia Geral da ONU, que acontece em Nova York, em setembro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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