Recruta acusada de abusos visitava presos às escondidas

Em depoimento à Justiça militar em Fort Bragg, no Estado americano da Carolina do Norte, o cabo Matthew Bolinger afirmou que a soldado Lynndie England entrava ilegalmente à noite nas instalações onde os detidos foram abusados na prisão de Abu Ghraib. O testemunho dado hoje por Bolinger, supervisor da soldado, em uma audiência prévia ao julgamento, deu continuidade à estratégia do governo americano de mostrar England como parte de um grupo de indisciplinados que decidiu, por conta própria, humilhar iraquianos. Segundo Bolinger, England foi repreendida em várias ocasiões por entrar sem ordem na chamada "ala dura" da prisão para visitar seu namorado, o cabo Charles A. Graner, também acusado no caso e pai do filho do qual ela está grávida. "Seu desempenho não era bom", disse Bolinger, que supervisionava a soldado em seu trabalho administrativo na prisão. "Saía furtivamente, na calada da noite, e se dirigia à ´ala dura´ da prisão", onde se encontravam os presos que sofreram abusos, afirmou. Os advogados de defesa de Lynndie, de 21 anos, alegam que ela cumpria ordens de superiores. Ela é um dos sete reservistas da 372ª Companhia da Polícia Militar acusados de abusos contra iraquianos no presídio de Abu Ghraib, a oeste de Bagdá. O soldado Jeremy C. Sivits se declarou culpado e recebeu pena de 1 ano de prisão. Os outros cinco, incluindo o namorado de Lynndie, aguardam julgamento em Bagdá.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2004 | 18h46

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